Thursday, December 13, 2007

Em silêncio


Uma conversa inteira que decorre em silêncio, porque o coração tem a sua própria linguagem.
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Chiu! Apaga a voz e senta-te.




Tuesday, December 11, 2007

Feliz Aniversário


Em pouco tempo transformaste-te num adulto jovem.
Ainda há pouco vivias em mim..., hoje caminhas e seleccionas os percursos que entendes por bem, habitar!
Alegro-me e ofereço-te um sorriso todos os dias, e sempre que os meus lábios te alcançam. Sabes porquê?
O teu colorido abraça a minha vida, desde que és. Possuis uma beleza singular, as palavras com que me brindas, vêm revestidas de um fascínio espontâneo. E o teu olhar? Apaixonante!
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Lá fora, uma vida luzidia à tua espera! VIVE-A, mas bem!
Amo-te todos os dias.
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mãe

Saturday, December 8, 2007

Poema à MÃE


Rainha Santa Isabel muito devota à Virgem Maria sob o título da “sua Conceição”, por sua iniciativa manda celebrar todos os anos na Catedral, a 8 de Dezembro, a festa de Nossa Senhora da Conceição, esta festa de devoção estabelece-se em todo o Reino de Portugal. E, é desta forma, que chega até nós este dia, durante muito tempo festa comemorativa do “Dia da Mãe”, hoje – e por questões económicas –, simplesmente dia de Nossa Senhora da Conceição.

Por mim, hoje, dedico um miminho a todas mães.

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Poema à MÃE

No mais fundo de ti,
eu sei que traí, mãe.

Tudo porque já não sou
o menino adormecido
no fundo dos teus olhos.

Tudo porque tu ignoras
que há leitos onde o frio não se demora
e noites rumorosas de águas matinais.

Por isso, às vezes, as palavras que te digo
são duras, mãe,
e o nosso amor é infeliz.

Tudo porque perdi as rosas brancas
que apertava junto ao coração
no retrato da moldura.

Se soubesses como ainda amo as rosas,
talvez não enchesses as horas de pesadelos.

Mas tu esqueceste muita coisa;
esqueceste que as minhas pernas cresceram,
que todo o meu corpo cresceu,
e até o meu coração
ficou enorme, mãe!

Olha – queres ouvir-me? –
às vezes ainda sou o menino
que adormeceu nos teus olhos;
ainda aperto contra o coração
rosas tão brancas
como as que tens na moldura;

ainda oiço a tua voz:
Era uma vez uma princesa
no meio de um laranjal…

Mas – tu sabes – a noite é enorme,
e todo o meu corpo cresceu.
eu saí da moldura,
dei às aves os meus olhos a beber.

Não me esqueci de nada, mãe.
Guardo a tua voz dentro de mim.
E deixo-te as rosas.

Boa noite. Eu vou com as aves.

Eugénio de Andrade in “Os Amantes Sem Dinheiro”

Thursday, December 6, 2007

Quem? Eu?


Não são casos isolados e a sua difusão é preocupante.

Segundo a Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV), no primeiro semestre deste ano registou-se um total de 4.330 novos processos de apoio, destes, 46,4% traduziram-se em apoio genérico e encaminhamento, 22,2% em apoio jurídico e 19,7% em apoio emocional.
Segundo a APAV as vítimas de crime são, na sua maioria, mulheres (86,9%), casadas (45,6%), com idades compreendidas entre os 26 e 45 anos (31,7%). Os autores de crime são fundamentalmente homens (87%), casados (49,7%), com idades compreendidas entre os 26 e 55 anos (36,4%). Relativamente ao nível de ensino e estrato social, não é possível destacar nenhum em especial. Tanto as vítimas como os autores dos crimes atravessam todos os níveis de escolaridade, bem como, classes sociais. Quanto ao local do crime, 67, 5 % dos crimes ocorreram na residência comum, 10,8% na residência da vítima e 8,2% em lugar/via pública.
Do total de 4.330 processos de apoio, denunciados em seis meses, 85,5% refere-se a crimes de Violência Doméstica.
Relativamente ao ano de 2006, APAV registou 7.935 processos de apoio. Destes, 6.772 referiram-se a vítimas que foram alvo de 15. 758 crimes e 86% do total dos crimes, referem-se a situações de Violência Doméstica.
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Esta cena macaca, só me faz lembrar aqueles tipos de duas faces, incansáveis e dedicados no trabalho e com os amigos. Violentos, precipitados e cruéis em casa. Tipos totalmente destituídos de escrúpulos, de respeito, de princípios e de auto-controlo. Bando cobarde com comportamentos primários.
Os dias estão cheios de exemplos destes, notícias sobre tipos inofensivos e amáveis até, a quem num dia qualquer e, de súbito, mataram a mulher.

Por detrás desta violência escondem-se infinitas causas de consequências inomináveis. Violência no lar, conduz à disfuncionalidade da família, que fortalece e reforça a violência. É um ciclo. Repete-se sempre.
A violência é o recurso dos fracos – isto é um lugar comum –, mas só os mais fortes e seguros de si, sabem usar a inteligência.

Em todas as partes do mundo, as mulheres maltratadas comportam-se de forma semelhante: evitam procurar ajuda, o que contribui para acumular violência. As vítimas são subjugadas e sentem-se encarceradas por falta de alternativas e isoladas por inexistência de informação. O medo, a vergonha, a ausência de protecção e a falta de esperança rapidamente as invade e paralisa. Tratam-se muitas vezes de agressões diárias e contínuas e frequentes e...tão dolorosamente amargadas!
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Deverá a Violência Doméstica ficar abafada? Aceite por inacção? Por laxismo? Deverá ser silenciada? A que preço? Porque razão?

Os maus-tratos físicos e psíquicos são um crime mesmo quando ocorrem no seio da família e constituem fundamento de divórcio quando o agressor é o conjugue. A Violência Doméstica é um crime público punido por lei. Qualquer pessoa pode apresentar queixa, caso seja vítima deste tipo de crimes.

Ter de recomeçar a vida a partir de um momento tão doloroso, é delicado… Há que querer! Hoje, existem programas de acolhimento e protecção para as vítimas.

Em Portugal, estima-se que exista Violência Doméstica em 25% dos lares, digo estima-se, porque só uma ínfima parte das vítimas têm coragem para revelar as agressões sofridas.
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Que sociedade, a nossa, que mantém impunes estes criminosos?
Gente etnocêntrica!
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Alguns contactos úteis:
Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) – 707 200 077
Linha Social de Emergência Social (LNES) – 144
União de Mulheres Alternativa e resposta (UMAR) – 218 867 096
Estrutura de Missão Contra a Violência Doméstica – 213 121 304
Serviço de Informação a Vítimas de Violência Doméstica – 213 121 304
Comissão para a Igualdade e para os Direitos das Mulheres:
Lisboa – 217 983 000 e Porto – 222 074 370
Associação de Mulheres Contra a Violência – 213 802 160
Associação Portuguesa de Mulheres Juristas – 217 594 499
Fundação Byssaia Barreto (Coimbra) – 239 832 073
Serviço de Apoio à Mulher (Angra do Heroísmo) – 295 217 860
Associação Presença Feminina (Funchal) – 291 759 777

Sunday, November 18, 2007

Por me apetecer



Hoje, "Luz" de Pedro Abrunhosa. Por me apetecer.

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A cada não que dizes
(A Rami al-Dura, de 12 anos, morto em 2000 pelas balas do ódio na Faixa de Gaza)
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Lento,
Eu vi morrer o tempo,
Morto por fora e por dentro,
Como um pai enganado,
Um filho roubado,
Uma mão de soldado, um pecado,
Um cálice, um príncipe,
E num salto de lince,
Um fim que está perto,
Um quarto deserto,
Dois tiros no escuro, um peito feito no muro
E o rosto já frio, o som da morte no cio,
O passo a compasso
Das botas cardadas,
Espadas à espera,
O gume,
O lume da fera.
E ninguém percebeu que o mundo inteiro sou eu.
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Longe,
Um mar que se rasga e me foge,
Uma dor que, por mais que se aloje, não vale o aço da bala
Coração que me embala, que estala, que embala no medo,
Um dédalo, um dedo,
Um gatilho já preso,
Um rastilho acesso, um fogo às cores pelo céu,
Desenhos loucos no breu,
Pintura pura a canhão,
Talvez vinte homens não cheguem,
Talvez aqueles me levem,
Talvez os outros se lembrem,
Que são homens como os que fogem
E nenhum Deus é maior,
Num ódio feito de dor,
E ninguém reparou que o mundo inteiro parou.
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A cada não que dizes,
Abre-se um lugar no céu.
A cada não que dizes,
Abre-se um lugar no céu.
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Fracos,
Como farrapos na cama,
Orgulho feito de lama, e o verbo ser a partir.
Palavras presas na alma, ruas de vento e vivalma,
Um límpido tiro, um suspenso suspiro,
Pietá nas notícias,
Gravatas impunes negando as sevícias
Vozes de ferro, de fogo, de fome, de fuga, de facas,
E as rugas pobres, já fracas,
Um poço morto de sede,
Graffitis numa parede,
E ninguém percebeu, que o mundo inteiro sou eu.
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Outros,
Loucos, perdidos, sentidos certeiros,
Crianças feitas guerreiros,
A quem foi roubado o perdão,
Dois braços cheios de pão,
Napalm na palma da mão,
Um fósforo fátuo,
Nos jornais o retrato
De um estilhaço, um abraço,
Um pedaço de espaço
De uma pátria sem chão.
Uma pétala pródiga, um remorso confesso,
Talvez a dor no regresso,
Talvez um dia o inverso,
Mas isso já eu não peço,
O mundo inteiro a fugir,
O mundo inteiro a pedir.
Que se oiça alto o teu não.
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A cada não que dizes,
Abre-se um lugar no céu.
A cada não que dizes,
Abre-se um lugar no céu.
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Lento,
Longe,
Fracos,
Outros.





Monday, November 12, 2007

Deveríamos viver nesse caminho

Pedro Cavadas, cirurgião, efectivou um transplante bilateral de mãos - o primeiro em todo o mundo -, numa mulher, Alba, o seu nome. Este gesto atirou Cavadas, de 42 anos, para a literatura científica internacional. Com residência em Valência, engrandece a cirurgia, de hoje - a mais avançada -, e move-se numa área, ainda, polémica, a cirurgia de transplantes de tecido composto. Pedro Cavadas prepara-se agora para um transplante de cara, o quarto a ser realizado a nível mundial. Em França executaram-se dois, um em Lyon e outro em Paris, este último efectuou-se há muito pouco tempo, um caso muito bem executado, segundo Cavadas; o terceiro transplante decorreu na China, sobre este existem, ainda, poucos dados consistentes. Contudo, são transplantes parciais, pois parece que ainda ninguém se atreveu a fazê-los na sua totalidade.
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Trata-se de um percurso aplicado, brilhante, atento e sonoro o deste jovem médico, com um dia-a-dia inacessível, ou não integrasse um dos sete grupos, a nível mundial, na cirurgia de transplantes de tecido composto (CTA), chega a fazer 1300 operações por ano na sua clínica. "Nunca fiz cosmética, é uma das coisas de que me faço gala. Não gosto de futebol, não fumo e não faço cirurgia cosmética; são as minhas três conquistas", clarifica Cavadas. Mas, o que destaca Pedro Cavadas, para um plano superior, onde muito poucos chegam, é a sua entrega à causa humanitária. Hoje opera mutilações no Quénia e no Uganda, onde tem de levar literalmente tudo, a maioria dos hospitais apresentam-se barracas, com bichos a andar pelo chão e onde as moscas, simplesmente, fixaram residência. Na periodicidade de uma a duas vezes por ano, porque as viagens da sua equipa ficam muito dispendiosas, Cavadas faz cirurgia reconstrutiva gratuita em crianças e adultos no continente africano. Por vezes, chega a trazer crianças para Espanha, bem como alguns dos seus familiares e hospeda-os na sua casa, em Valência, durante meses, enquanto recuperam do pós-operatório.
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São muitas as histórias de vida, vividas, que fizeram deste homem uma pessoa renovada. "Existe um antes e um depois de África", sublinha Cavadas. Acreditamos. Acreditamos todos!
A sua causa passa pela ética da espécie na ajuda ao próximo. "Podemos viver de costas voltadas para a nossa espécie, mas há coisas que não mudam com as culturas, as religiões ou as épocas históricas, que é um ser humano ajudar o outro".
Chega a ser comovente a grandeza da sua integridade e altruísmo. Cavadas abdicou do supérfluo, há anos atrás coleccionou carros de luxo, vendeu tudo, para se concentrar no essencial: "Um ser humano que estende a mão a outro ser humano porque acredita fazer o que deve", defende que este caminho, por si eleito, é um trilho ético e honesto, ontem, hoje e dentro de cem anos. Quanto às filhas, duas meninas chinesas e referindo-se a África, "Adorava que um dia fossem comigo, para que comparem e relativizem, mas ainda são pequeninas".
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São valores que permanecem na natureza humana, disponíveis a todos. Uns aproveitam.
Valores que atravessam os tempos e nos unem no mesmo caminho, com o mesmo sentido.
In Jornal Expresso, 27 de Outubro de 2007, Revista Única

Friday, November 9, 2007

Novembro


Chegou com os olhos cobertos de luz e afecto. Olhou com um olhar franco e aberto, deu-me a sensação de que, pela primeira vez na vida, o tinha visto integralmente.
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Novembro, sempre!