Wednesday, December 8, 2010

Sunday, December 5, 2010

Alberta


A Alberta, Beta para os mais íntimos, foi operada por estes dias, apresentava uma lesão nodular epidérmica. O fragmento nodular depois de excisado foi enviado para o Centro de Diagnóstico Veterinário no ICBAS-UP.
O resultando chegou. É demolidor! A lesão apresenta um carácter maligno compatível com fibrossarcoma. O risco de recidiva é elevado.
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A gatinha, de cima dos seus 14 anos e meio, e com bastantes fragilidades típicas da idade, tem apresentado uma recuperação excepcional. Encontrando-se bem. Carregada de mimo. Mas bem!
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Estes dias frios passam-me docemente, contrastando com este silêncio irrequieto que me aperta o peito. Vivo num desalinho dormente este desfiar permanente de acontecimentos. Vivo roída por este desassossego. Não quero, é certo, mas sou triste neste momento!

Sunday, November 28, 2010

contabilidade


contabilidade
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venho para te cortar os
dedos em moedas pequenas e
com elas pagar ao coração o
mal que me fizeste
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o pior amor é este, o que já é
feito de ódio também. o pior amor
é este, o que já é feito de ódio também. o
pior é o amor é este, o que
já é feito de ódio também
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valter hugo mãe, in contabilidade

Friday, November 26, 2010

coisinhas de meter no cu

coisinhas de meter no cu
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o menino reuniu as suas bonecas e
ralhou com elas. portaram-se mal quando
lhes pediu que fizessem silêncio na
hora de pôr a mesa. a cristiana e a barbie na neve
querem sempre ficar do seu lado. mas
não pode ser. o menino ouve as
bonecas chorarem noite inteira. ouve-as
como uma angústia constante
crescendo no seu próprio peito. cuidadoso,
antes de adormecer, deita-lhes um pequeno
candeeiro aceso sobre os olhos de vidro e
recomenda-lhes todo o amor do mundo. o amor,
explica, é ser uno com o que está apartado
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penteou uma a uma pacientemente. as suas
bonecas terão um domingo especial, agora que
lhes comprou um sofá vermelho, pequeno, à
medida dos seus corpinhos perfeitos. não há lugar
para todas, por isso, sabe que vai ter de as substituir
de meia em meia hora. estabelece as regras
pormenorizadamente. anuncia, a partir de hoje
a nossa casa está mais bonita, e esta beleza
deve contribuir para os nossos corações. quero que
os nossos corações se ponham de
festa, quero que exista senão alegria
o menino observou o sofá vermelho intenso, apreciou
como era incrível ali estendido o vestido da
elizabete, feito de tule muito branco
com um corpete de veludo dourado
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o pai bate-lhe no fim da tarde. chega a
casa cansado e não diz nada. e, sem dizer nada,
arranca-o do quarto de brincar e obriga-o a
ficar na cama. pela janela, vê o fim
da tarde a entristecer as casas, e fica à espera da mãe
como se pudesse o sol chegar de novo àquela hora.
e a mãe chega, fecha-se na sala a discutir com o
pai. o menino tira de sob a almofada o ken. gosta do
ken. tem quatro diferentes. o polícia é o seu
preferido. sonha sempre que um dia virá para prender o
pai levando-o para longe para o espancar sem
piedade. um pouco depois, a mãe estende os seus
raios por toda a parte. de tão brilhante, o menino
fecha os olhos ofuscados e abraça-se a ela a ver
só por dentro
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o joaquim não gosta do ken. o menino disse que
lho deixava para assumir a barbie na
neve. mas ele nem assim aceitou. o menino
não o obrigava a ser a barbie. e não se importa
nada de fazer esse papel. mas o joaquim
não quis mesmo. passou com o seu tractor por cima do
boneco e foi-se embora. o menino
ficou zangado. mas os melhores amigos , diz a mãe
também se zangam. por isso, ficou à espera que
ele viesse falar consigo. eu posso
brincar com a bicicleta, dizia, podemos ir lá abaixo
até ao mosteiro ver as campas antigas de pedra. depois,
pensava, talvez ele aceite ser o ken. o ken polícia,
que deixou no sofá vermelho para que se
anime, porque não se passa assim com um
tractor por cima da autoridade. o papá
deixa-te ficar no sofá a tarde inteira. tirou a
elizabete e pô-lo ali sentado, subitamente mais feliz
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o pai afastou a mãe da frente e
voltou a puxá-lo. sempre que o faz
marca-lhe os braços com as mãos
apertadas sobre a pele como aguilhões. o menino
estendeu-lhe o ken e disse entre dentes, está preso e
és um filho da puta. mas ele não parou de
lhe bater, por mais que visse o ken fardado,
tão furiosos os dois
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a mãe ficou a ver-lhe o rabo a inchar à força do
sapato. o pai pensava que
as bonecas da mariana não podiam ser de
outra pessoa. a mãe sentou-se, depois, no sofá e
tomou o menino ao colo. então, o menino chorou e
espremeu contra o peito o homem-aranha, que
lhe fez uma teia de protecção
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outro dia, o pai pegou fogo ao quarto de brincar.
não avisou. disse, no fim, vai ver o que sobrou das tuas
coisinhas de meter no cu. o menino não foi ver. morreu.
tombou no chão e morreu
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no dia seguinte, ele era outra pessoa. viu tudo e
todos com novos nomes e deixou de brincar com
bonecas. compreendeu a diferença entre
as pessoas e os brinquedos mudos. procurou o
joaquim, sorriu como nunca, e foi com ele ver as
campas de pedra antigas
com o prazer inaudito de, certo modo, também já estar
sepultado
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valter hugo mãe, in contabilidade

Tuesday, November 23, 2010

Crise Social

Encontra entervista na integra a Isabel Jonet, presidente do Banco Alimentar, no Jornal Expresso de 20 de Novembro de 2010, aqui ficam algumas passagens...
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"O que se passa é tão penalizante e há situações tão socialmente injustas, criadas com o corte das prestações sociais, que neste momento existe o maior risco de implosão social em Portugal desde o 25 de Abril. Sinto, e as instituições que estão no terreno também, que há um desconforto sem esperança, um desconforto com raiva que pode minar a sociedade. Há uma tensão latente, muito perigosa. Se surgir uma força política a manipular os pobres, vai correr mal."
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"E também a certeza de que a maior parte das pessoas de 48 , 50 anos que caem hoje no desemprego nunca mais vão ter um emprego. É o desemprego sem esperança. Pessoas que ficam destruidas em termos pessoais porque têm de enfrentar uma falha que não é delas mas que parece ser. O estado de tristeza e depressão impede-as de recomeçar. E é ver os jovens acabados de sair das faculdades e que só arranjam empregos precários e subqualificados. Vinham para o mercado cheios de garra e perderam o élan inicial. Estamos a cortar-lhes a esperança. E o problema é não haver solução para toda esta mão de obra desocupada. Além de um desperdício, é um perigo."
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"O Banco Alimentar apoia instituições, 1830 a nível nacional. Mas há cada vez mais pessoas a pedir-nos ajuda diretamente, principalmente por telefone, mas também por e-mail. Já temos duas pessoas a trabalhar exclusivamente no encamenhamento dsetes casos."
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"Pois, mas tomámos a decisão de admitir mais instituições na rede de ajuda, porque nos apercebemos de que estavam a atingir os limites, humanos e físicos. Muitas instituições têm mais pedidos de ajuda, mas não podem, de repente, acolher mais cem pessoas no refeitório."
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"A maior parte das instituições está no limite. Não pode ajudar mais pessoas. Setúbal e o Grande Porto são as regiões mais afetadas."
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"Num bairro social que conheço bem vejo imensas mulheres que vivem do Rendimento de Inserção (RSI), mas a quem nem sequer é exigido que varram e limpem o seu próprio bairro. Há uma desresponsabilização total. Muitas pessoas perderam o gosto pelo trabalho ou desabituaram-se de trabalhar duro..."
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"Neste momento o drama é que as pessoas já nem sequer têm força para pegar na cana. Além de que a maior parte dos rios estão secos."
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"O Estado Social matou muita da iniciativa da sociedade civil porque as pessoas encostaram-se. Terão agora de aparecer novas soluções, sem depender do estado, contando com a energia das pessoas em torno de um mesmo ideal: recuperar Portugal. É absolutamente necessário haver uma salvação nacional. Os portugueses deixaram de acreditar, mas o país tem imenso potencial. Não podemos é estar impávidos à espera que alguém nos diga como ajudar. Cada um tem de ir à procura do que pode fazer pelo seu país. A partir da sua casa, da sua rua, do seu bairro."
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"Não tenho dúvidas que foi um fator indutor de pobreza (a respeito da introdução do euro). Um euro são 200 escudos, mas a maior das pessoas faz as contas como se fosse cem. Alterou-se o refencial das pessoas, mas não se alteraram proporcionalmente os rendimentos."
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"Apesar dos milhões que se têm gasto em estudos e projetos (para combater a pobreza), muito pouco se fez para conhecer as suas reais causas. É esse o objetivo do Observatório da Pobreza que lançamos amanhã."
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"Este ano estendemos a campanha ao Facebook. As pessoas que jogam Farmville, por exemplo, podem trocar os seus créditos por alimentos."

contalibidade/poesia completa


Apresentação do livro contabilidade/poesia completa de valter hugo mãe, da editora objectiva decorrerá no dia 25 de Novembro, pelas 21h30, na Livraria Centésima Página em Braga. Paralelamente, ocorrerá exposição de ilustrações a alma ao diabo a preços trágicos do mesmo autor.
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Consultar as ilustrações em http://almaaodiabo.blogspot.com