Monday, October 17, 2011

Ao mesmo tempo!


Quase sem pensar, ou, sem pensar de todo, estico o braço e com muito cuidado vasculho. É preciso não derrubar nada. As flores, lá de casa, estão sempre milimetricamente alinhadas - aliás como quase tudo. Com as pontas dos dedos encontro-as. Encontro-as sempre. Depois, com as chaves na mão, pouso, finalmente, o olhar naquele vaso, no vaso de sempre e deixo-o por lá. Lá dentro, guio-me apenas com o coração… Alvoraçada, preparo-me. Alinho o cabelo na expectativa de alinhar as ideias também. Procuro o ar mais familiar, as palavras mais amenas e os sons que me fizeram sorrir e sorrir, vezes sem conta! É nesse momento que me sinto a entrar, e sem dar por isso, afasto-me no tempo!

Respiro cada instante, cada recanto perdido, cada objecto e subo no tempo! Enlaço-me nos cortinados e deixo-me invadir pelo odor a lavado que me abraça! O calor da casa vai aquecendo as memorias e vivo feliz cada recordação! Depois de tanto tempo, só as memorias permanecem imutáveis, são as únicas que confirmam que regressei ao mesmo sitio. Ao mesmo tempo!


Thursday, September 29, 2011

...

Hoje estou assim...
(amanhã logo se verá!)


Monday, September 26, 2011

Sunday, September 25, 2011

O filho de mil homens


"Para dentro do homem era um sem fim, e pouco ou nada do que continha lhe servia de felicidade. Para dentro do homem o homem caía."

"O Crisóstomo começou a pensar que os filhos se perdiam, por vezes, na confusão do caminho. Imaginava crianças sozinhas como filhos à espera. Crianças que viviam como a demorarem-se na volta para casa por terem sido enganadas pela vida. Acreditou que o afecto verdadeiro era o único desengano, a grande forma de encontro e de pertença. A grande forma de família."

"Estava um sossego incrível instalado naquele mundo e ele baixou-se, deixou-se sobre a areia como sentado para pensar melhor e percebeu como a vida tinha as suas perfeições."

"A companhia de verdade, achava ele, era aquela que não tinha por que ir embora e, se fosse, ir embora significaria ficar ali, junto."

"Era um menino na ponta do mundo, quase a perder-se, sem saber como se segurar e sem conhecer o caminho. Os seus olhos tinham um precipício. E ele estava quase a cair olhos adentro, no precipício de tamanho infinito escavado de ausências e silêncios. Seguia na traineira quase com a promessa de quem podia chorar. Para dentro do rapaz pequeno era um sem fim e pouco do que continha lhe servia para a felicidade. Para dentro do rapaz o rapaz caía."

Valter Hugo Mãe, in O filho de mil homens

Sunday, August 28, 2011

Às vezes sinto assim...


Às vezes estico demais as palavras. Estico tanto que ficam desfocadas, despresentes e a mensagem fica do avesso! Mas, de cada vez que o faço, pergunto-me: “Qual será a cor deste cansaço, assim a bater tanto?!”


Sunday, August 7, 2011

Em tudo na vida...


“Mas, então, como podemos fazer o caminho que vai desde a incapacidade para entender a lógica dos factos até à capacidade para nos distanciarmos e de uma forma clara perceber que atitude assumir? Repare que utilizei a palavra distanciamento. E essa é uma boa forma para entendermos este processo. Quando estamos muito próximo de um muro, é difícil ver o que está atrás dele. Mas se nos afastarmos, é como se ele se tornasse mais baixo e já conseguimos ver mais longe. Ver mais é aqui a palavra-chave. Ver mais do que aquilo que estamos a sentir. Conseguir colocar-se «numa posição» que permita olhar a nossa vida como se se tratasse da vida de outra pessoa. Criar este processo é o que os psicólogos chamam «construir consciência». A consciência é como se tivéssemos criado uma outra pessoa dentro do nosso próprio corpo e, quando temos de tomar decisões, então essa outra pessoa, que somos ainda nós, age como um conselheiro.”

Joaquim Quintino Aires, in O Amor é uma Carta Fechada


Tu sabes...


As tuas palavras?
Pendurei-as na parede e é para lá que estou a olhar agora.