Wednesday, March 30, 2011

Quietude imperfeita

A ideia crescia.

Havia música no ar e algumas pessoas dançavam, outras balançavam. Havia amizade, doces e taças de champanhe. Havia afecto, risos e galhofa por toda a sala, excepto onde ela se encontrava.

E, a ideia aumentava.

Havia alegria, muita. Sonhos que enchiam o ar e projectos que viajavam de mão em mão. Havia beijos e ternura nos abraços. Mas onde ela se achava, não.

A ideia avançava dentro dela.

Vestia um elegante vestido preto e calçava um sapato alto, tal como a ocasião o pedia. Mas, estava afastada e estafada. Os pensamentos atracados longe. O olhar meigo, triste e cansado. Toda ela distante.

E a ideia já não cabia dentro dela. Sabia bem o que tinha de fazer…

Depois desta agitação, ficou a vida quieta e nós a queimar de paz!


Monday, March 28, 2011

Faz-de-conta

Quando a viu, secou-lhe a garganta. Senti. Senti como lhe custava chegar aquele momento. E aquele calhava ser um momento particularmente difícil. Ela chegou e beijo-a na face. Foi um beijo rápido, tal como a visita. Tinha uns compromissos, afiançou-nos por fim. Ali ficaram. Retirei-me e dei espaço ao silêncio que entrou por fim. Foi um curto diálogo em silêncio. Estranho, não? Mas foi assim mesmo. As palavras a falarem e os corações a pensarem… E o tempo a esgotar-se. A mãe, apesar de gostar muito da sua companhia, não a quer por visita, e, por isso mesmo, envelhece muito nestes dias. Depois põe os óculos escuros só para esconder os olhos parados.

- Sabe menina, gosto muito da minha filha, sabia? Diz-me, por fim e quase em segredo.

Eu sorri devagarinho e abanei a cabeça, foi a cabeça que disse que sim, porque a voz não saiu.


Saturday, March 26, 2011

Mais outra vez.


Hoje sonhei-te. Outra vez.

Misturávamo-nos. Riamo-nos ao mesmo tempo. Da mesma ideia. No mesmo tom.

Agora, sonhava-te. Outra vez. Outra vez.

Beijava-te e ficava a beijar-te o resto do mundo.


Memórias. Memórias.

Pousei-as no xaile que trazia. Escolhi-o por se tratar do xaile mais bonito que tinha. Estava guardado, como quase tudo de que gostamos muito… Guardamos para o fazer perdurar mais no tempo e entretanto gozamos muito pouco, ou nada mesmo. Mas adiante. Pousei-as, então, dentro do xaile. Era macio. Perfumado. Enrolei-as muito bem e aconcheguei-as ao peito. Dei-lhes um colinho. Embalei-as. E viajei pelo odor mágico que ainda traziam. Eram as minhas memórias… Depois, como que sem pensar, parei a meio de um gesto e fitei-as. Uma última vez. Eram minhas. Eram lindas!

Ficou um silêncio. Só aquele odor. Só aquela magia. Só aquela leveza. Depois, não houve lugar a perguntas, porque não houve lugar a palavras.


Meias palavras...

É o amor, e mais não sei o quê, que impede a diluição das ideias em palavras. Ficam no ar penduradas meias palavras…


Monday, March 21, 2011

Sunday, March 20, 2011

Mais ou menos assim...

Ando mais ou menos assim...
Por isso esta quietude!
Volto já!