Sunday, June 14, 2009

Quando ficamos assim


Quando ficamos assim, a ouvirmo-nos e
a falarmo-nos, somos capazes de descobrir muito
mais do que todos eles, obedientes e assustados.
Como aqui, assim, estas palavras a levarem esta
voz fazem-nos saber que estamos juntos, mesmo
quando não há uma sala com estas paredes e só
conseguimos duvidar e duvidar desta verdade.
Estamos juntos, mesmo quando nos separamos
pelas ruas e, dentro de nós, somos um exército
de segredos, mesmo quando nos escondemos do
mundo que desejámos e que desejamos indescon-
troladamente, desincomparavelmente, como um
silêncio que mente e mente e não mente.
Estamos juntos no silêncio, apesar desta voz
carregada por estas palavras, apesar das formas todas
dos nossos corpos e dos desenhos que somos capazes
de fazer com o olhar. As nossas mãos, procuram-se
à noite, dentro das luzes apagadas. As nossas mãos,
nossas, encontram-se agora e são invisíveis. Sabemos
que os nossos dedos tocaram outros dedos, tocaram
nomes e cordas de guitarra. Sabemos quem somos.
Somos muitos e sabemo-nos reconhecer. Assim,
como aqui, esperamos a madrugada, sabendo que
fomos nós, juntos, que a construímos. Esperamos
muito mais que a madrugada. Temos a
força de sempre, aprendemos a renúncia de
nunca mais. A disciplina está enterrada naquilo
que não é medo, é força, e que nos protege, que
nos protegemos a nós próprios. Esta voz, se eles
conseguirem entender esta voz, mudaremos de
língua. Esta voz é esta sala. Esta voz são os caminhos
que fizemos à margem de cidades e de argumentos
razoáveis. As palavras são pedras. As certezas
perseguiram-nos e abrandámos para que nos
alcançassem. Agora, controlamos pontes e
quotidianos. Agora, esta voz dirige-se ao teu rosto.
Nada nos é impossível. Explicamo-nos uns aos outros e,
sem que ninguém nos perturbe, encontramo-nos
sempre como agora, aqui, assim, como agora,
aqui, assim.

José Luís Peixoto, in Gaveta de Papéis

Tuesday, June 9, 2009

Fotografia de Coimbra



Coimbra é a cidade e a esperança dos domingos à tarde,
Um calendário abandonado no bolso do casaco é Coimbra.
Coimbra são as fotografias reveladas de um rolo antigo,
esquecido numa gaveta. E, no entanto, enquanto falamos,
Coimbra existe e corre no recreio. Existe ar que é respirado
apenas por Coimbra. Existe um coração no seu peito a bater,
e esse é um milagre de deus que transcende deus.

José Luís Peixoto, in Gaveta de Papéis

Sunday, June 7, 2009

Octacampeões nacionais


FC Porto, na modalidade de Hóquei, é Octacampeão nacional.
Parabéns a todos os jogadores.
Um abraço particular, para ti, Ricardo Figueira!

E agora sem mãos...!



Quanto posso errar?

Saturday, June 6, 2009

Posso?


Posso desenhar-te?
É uma ideia minha… ficar com o teu sorriso reservado só para mim!
Sabes, apetece-me fazer versos com muitas palavras em “inho”. Lê-los em voz alta: desembrulhar em catadupa as memórias que ao teu lado construi e, que hoje, me engrandecem o coração e dão cor à minha alma!
São momentos quase perfeitos, estes que partilhamos, só não o são de todo, porque sabemos que amanhã será sempre melhor! E melhor! E melhor!
Apetece-me tanto fazer ternuras, assim… todos os dias!
.
(num sussurro sopro-te ao ouvido)
Cheguei a sentir saudades!

Thursday, June 4, 2009

Parabéns filhita!

Filha,

Trata-se de uma mensagem de amor, daquelas mensagens que se escrevem uma única vez e que perduram vida fora. Um ritmo que te dedico, e te acompanha, e te norteia quando estás fora de rumo ou quando perdes o fio… Uma ideia quente, que aconchega o corpo e serena a luz que te envolve. É uma mensagem, espero, que te faça sorrir quando o frio chega perto do coração. São instantes de vida, onde de todos os momentos se concretizam memórias! São memórias estruturais onde o corpo é a arquitectura dos teus sonhos! E o teu sentido, é a luz do carinho que me anima todos os dias!
Esta, é daquelas mensagens onde esgotamos as palavras e os sons, onde os sentimentos ficam para além dos parágrafos, e as pausas que fazemos são laços de ternura e de união! Quanto à pontuação, é tua!

Já te agradeci com amor, a forma como a vida ao teu lado me encanta?


Monday, June 1, 2009

Dia Mundial da Criança - 50 anos de (alguns) direitos



Foi em 1959, há cinquenta anos, que a Organização das Nações Unidas (ONU) – de que fazem parte todos os países do mundo –, escreveu e aprovou a Declaração dos Direitos da Criança.
Hoje, esperamos e desejamos que os próximos cinquenta anos tragam, a mais crianças, o direito inegável de ser criança!