Saturday, December 29, 2007

Faltam dois dias



A dois dias de entrar em vigor a nova lei anti-tabaco, deixo um testemunho, na primeira pessoa, de uma ex-fumadora.

Fumei durante catorze anos. Fumava cerca de um maço por dia. Vinte cigarros. Vinte! E, em dias de mais trabalho e, ou, mais stress a tolice era crescente… lá queimava mais uns quantos cigarros!
Um dia decidi. Queria deixar de fumar.
Informei-me. Preparei-me. E, quando estava certa do gesto que iria tomar, procurei ajuda. Fiz auriculoterapia (acupunctura auricular).
Desta forma, separei-me dos cigarros, do vício e, do companheirismo – que gozava, ou pensava que gozava –, desses anos. Ganhei saúde e liberdade. Hoje sou mais responsável por mim e pelos outros. Os efeitos nefastos do tabaco, para a saúde do próprio consumidor são vastamente comprovados e conhecidos. Mas, também o são, ou são-no da mesma forma, para quem não escolheu inalar substâncias cancerígenas, que recebe, sem pedir, sem escolher, duma mesa ao lado da sua, num café perto de todos nós.
Já lá vão 9 anos sem pegar num cigarro, desde o dia 9 de Outubro de 1998.
Sou defensora, na generalidade, desta nova lei. Incomoda-me muito estar a almoçar, a tomar café e gulosamente desfolhar um livro, ou simplesmente, circular descontraidamente num Centro Comercial e, inalar o fumo do cigarro expelido de uns pulmões, seguramente, doentes. Também me incomoda ver os mais jovens e até crianças assistirem a estes comportamentos, dos mais crescidos, e assim, aceitá-los como regra! NÃO É! Tal como me incomoda, estar num ambiente fechado e cheio de fumo. Incomoda, e faz-nos mal!
Sinto dor e arrependimento, hoje, quando penso que durante catorze anos, eu própria, fui egoísta e irresponsável, com o comportamento de fumadora. Estava desacordada!
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Comigo RESULTOU! E consigo?
RESULTARÁ! Assim o queira.


Friday, December 28, 2007

Feliz Ano Novo

Eu acredito que o mundo pode ser um lugar bem melhor!
Façamos por isso.

Feliz Ano Novo!

Um abraço,

cristina torres





Wednesday, December 19, 2007

Feliz Natal



Aos meus amigos e visitantes

desejo um Santo Natal

repleto de saúde,

alegria e muita ternura...Todo o resto se cumprirá!

Abraços,

cristina torres

Thursday, December 13, 2007

Em silêncio


Uma conversa inteira que decorre em silêncio, porque o coração tem a sua própria linguagem.
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Chiu! Apaga a voz e senta-te.




Tuesday, December 11, 2007

Feliz Aniversário


Em pouco tempo transformaste-te num adulto jovem.
Ainda há pouco vivias em mim..., hoje caminhas e seleccionas os percursos que entendes por bem, habitar!
Alegro-me e ofereço-te um sorriso todos os dias, e sempre que os meus lábios te alcançam. Sabes porquê?
O teu colorido abraça a minha vida, desde que és. Possuis uma beleza singular, as palavras com que me brindas, vêm revestidas de um fascínio espontâneo. E o teu olhar? Apaixonante!
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Lá fora, uma vida luzidia à tua espera! VIVE-A, mas bem!
Amo-te todos os dias.
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mãe

Saturday, December 8, 2007

Poema à MÃE


Rainha Santa Isabel muito devota à Virgem Maria sob o título da “sua Conceição”, por sua iniciativa manda celebrar todos os anos na Catedral, a 8 de Dezembro, a festa de Nossa Senhora da Conceição, esta festa de devoção estabelece-se em todo o Reino de Portugal. E, é desta forma, que chega até nós este dia, durante muito tempo festa comemorativa do “Dia da Mãe”, hoje – e por questões económicas –, simplesmente dia de Nossa Senhora da Conceição.

Por mim, hoje, dedico um miminho a todas mães.

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Poema à MÃE

No mais fundo de ti,
eu sei que traí, mãe.

Tudo porque já não sou
o menino adormecido
no fundo dos teus olhos.

Tudo porque tu ignoras
que há leitos onde o frio não se demora
e noites rumorosas de águas matinais.

Por isso, às vezes, as palavras que te digo
são duras, mãe,
e o nosso amor é infeliz.

Tudo porque perdi as rosas brancas
que apertava junto ao coração
no retrato da moldura.

Se soubesses como ainda amo as rosas,
talvez não enchesses as horas de pesadelos.

Mas tu esqueceste muita coisa;
esqueceste que as minhas pernas cresceram,
que todo o meu corpo cresceu,
e até o meu coração
ficou enorme, mãe!

Olha – queres ouvir-me? –
às vezes ainda sou o menino
que adormeceu nos teus olhos;
ainda aperto contra o coração
rosas tão brancas
como as que tens na moldura;

ainda oiço a tua voz:
Era uma vez uma princesa
no meio de um laranjal…

Mas – tu sabes – a noite é enorme,
e todo o meu corpo cresceu.
eu saí da moldura,
dei às aves os meus olhos a beber.

Não me esqueci de nada, mãe.
Guardo a tua voz dentro de mim.
E deixo-te as rosas.

Boa noite. Eu vou com as aves.

Eugénio de Andrade in “Os Amantes Sem Dinheiro”

Thursday, December 6, 2007

Quem? Eu?


Não são casos isolados e a sua difusão é preocupante.

Segundo a Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV), no primeiro semestre deste ano registou-se um total de 4.330 novos processos de apoio, destes, 46,4% traduziram-se em apoio genérico e encaminhamento, 22,2% em apoio jurídico e 19,7% em apoio emocional.
Segundo a APAV as vítimas de crime são, na sua maioria, mulheres (86,9%), casadas (45,6%), com idades compreendidas entre os 26 e 45 anos (31,7%). Os autores de crime são fundamentalmente homens (87%), casados (49,7%), com idades compreendidas entre os 26 e 55 anos (36,4%). Relativamente ao nível de ensino e estrato social, não é possível destacar nenhum em especial. Tanto as vítimas como os autores dos crimes atravessam todos os níveis de escolaridade, bem como, classes sociais. Quanto ao local do crime, 67, 5 % dos crimes ocorreram na residência comum, 10,8% na residência da vítima e 8,2% em lugar/via pública.
Do total de 4.330 processos de apoio, denunciados em seis meses, 85,5% refere-se a crimes de Violência Doméstica.
Relativamente ao ano de 2006, APAV registou 7.935 processos de apoio. Destes, 6.772 referiram-se a vítimas que foram alvo de 15. 758 crimes e 86% do total dos crimes, referem-se a situações de Violência Doméstica.
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Esta cena macaca, só me faz lembrar aqueles tipos de duas faces, incansáveis e dedicados no trabalho e com os amigos. Violentos, precipitados e cruéis em casa. Tipos totalmente destituídos de escrúpulos, de respeito, de princípios e de auto-controlo. Bando cobarde com comportamentos primários.
Os dias estão cheios de exemplos destes, notícias sobre tipos inofensivos e amáveis até, a quem num dia qualquer e, de súbito, mataram a mulher.

Por detrás desta violência escondem-se infinitas causas de consequências inomináveis. Violência no lar, conduz à disfuncionalidade da família, que fortalece e reforça a violência. É um ciclo. Repete-se sempre.
A violência é o recurso dos fracos – isto é um lugar comum –, mas só os mais fortes e seguros de si, sabem usar a inteligência.

Em todas as partes do mundo, as mulheres maltratadas comportam-se de forma semelhante: evitam procurar ajuda, o que contribui para acumular violência. As vítimas são subjugadas e sentem-se encarceradas por falta de alternativas e isoladas por inexistência de informação. O medo, a vergonha, a ausência de protecção e a falta de esperança rapidamente as invade e paralisa. Tratam-se muitas vezes de agressões diárias e contínuas e frequentes e...tão dolorosamente amargadas!
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Deverá a Violência Doméstica ficar abafada? Aceite por inacção? Por laxismo? Deverá ser silenciada? A que preço? Porque razão?

Os maus-tratos físicos e psíquicos são um crime mesmo quando ocorrem no seio da família e constituem fundamento de divórcio quando o agressor é o conjugue. A Violência Doméstica é um crime público punido por lei. Qualquer pessoa pode apresentar queixa, caso seja vítima deste tipo de crimes.

Ter de recomeçar a vida a partir de um momento tão doloroso, é delicado… Há que querer! Hoje, existem programas de acolhimento e protecção para as vítimas.

Em Portugal, estima-se que exista Violência Doméstica em 25% dos lares, digo estima-se, porque só uma ínfima parte das vítimas têm coragem para revelar as agressões sofridas.
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Que sociedade, a nossa, que mantém impunes estes criminosos?
Gente etnocêntrica!
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Alguns contactos úteis:
Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) – 707 200 077
Linha Social de Emergência Social (LNES) – 144
União de Mulheres Alternativa e resposta (UMAR) – 218 867 096
Estrutura de Missão Contra a Violência Doméstica – 213 121 304
Serviço de Informação a Vítimas de Violência Doméstica – 213 121 304
Comissão para a Igualdade e para os Direitos das Mulheres:
Lisboa – 217 983 000 e Porto – 222 074 370
Associação de Mulheres Contra a Violência – 213 802 160
Associação Portuguesa de Mulheres Juristas – 217 594 499
Fundação Byssaia Barreto (Coimbra) – 239 832 073
Serviço de Apoio à Mulher (Angra do Heroísmo) – 295 217 860
Associação Presença Feminina (Funchal) – 291 759 777

Sunday, November 18, 2007

Por me apetecer



Hoje, "Luz" de Pedro Abrunhosa. Por me apetecer.

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A cada não que dizes
(A Rami al-Dura, de 12 anos, morto em 2000 pelas balas do ódio na Faixa de Gaza)
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Lento,
Eu vi morrer o tempo,
Morto por fora e por dentro,
Como um pai enganado,
Um filho roubado,
Uma mão de soldado, um pecado,
Um cálice, um príncipe,
E num salto de lince,
Um fim que está perto,
Um quarto deserto,
Dois tiros no escuro, um peito feito no muro
E o rosto já frio, o som da morte no cio,
O passo a compasso
Das botas cardadas,
Espadas à espera,
O gume,
O lume da fera.
E ninguém percebeu que o mundo inteiro sou eu.
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Longe,
Um mar que se rasga e me foge,
Uma dor que, por mais que se aloje, não vale o aço da bala
Coração que me embala, que estala, que embala no medo,
Um dédalo, um dedo,
Um gatilho já preso,
Um rastilho acesso, um fogo às cores pelo céu,
Desenhos loucos no breu,
Pintura pura a canhão,
Talvez vinte homens não cheguem,
Talvez aqueles me levem,
Talvez os outros se lembrem,
Que são homens como os que fogem
E nenhum Deus é maior,
Num ódio feito de dor,
E ninguém reparou que o mundo inteiro parou.
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A cada não que dizes,
Abre-se um lugar no céu.
A cada não que dizes,
Abre-se um lugar no céu.
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Fracos,
Como farrapos na cama,
Orgulho feito de lama, e o verbo ser a partir.
Palavras presas na alma, ruas de vento e vivalma,
Um límpido tiro, um suspenso suspiro,
Pietá nas notícias,
Gravatas impunes negando as sevícias
Vozes de ferro, de fogo, de fome, de fuga, de facas,
E as rugas pobres, já fracas,
Um poço morto de sede,
Graffitis numa parede,
E ninguém percebeu, que o mundo inteiro sou eu.
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Outros,
Loucos, perdidos, sentidos certeiros,
Crianças feitas guerreiros,
A quem foi roubado o perdão,
Dois braços cheios de pão,
Napalm na palma da mão,
Um fósforo fátuo,
Nos jornais o retrato
De um estilhaço, um abraço,
Um pedaço de espaço
De uma pátria sem chão.
Uma pétala pródiga, um remorso confesso,
Talvez a dor no regresso,
Talvez um dia o inverso,
Mas isso já eu não peço,
O mundo inteiro a fugir,
O mundo inteiro a pedir.
Que se oiça alto o teu não.
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A cada não que dizes,
Abre-se um lugar no céu.
A cada não que dizes,
Abre-se um lugar no céu.
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Lento,
Longe,
Fracos,
Outros.





Monday, November 12, 2007

Deveríamos viver nesse caminho

Pedro Cavadas, cirurgião, efectivou um transplante bilateral de mãos - o primeiro em todo o mundo -, numa mulher, Alba, o seu nome. Este gesto atirou Cavadas, de 42 anos, para a literatura científica internacional. Com residência em Valência, engrandece a cirurgia, de hoje - a mais avançada -, e move-se numa área, ainda, polémica, a cirurgia de transplantes de tecido composto. Pedro Cavadas prepara-se agora para um transplante de cara, o quarto a ser realizado a nível mundial. Em França executaram-se dois, um em Lyon e outro em Paris, este último efectuou-se há muito pouco tempo, um caso muito bem executado, segundo Cavadas; o terceiro transplante decorreu na China, sobre este existem, ainda, poucos dados consistentes. Contudo, são transplantes parciais, pois parece que ainda ninguém se atreveu a fazê-los na sua totalidade.
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Trata-se de um percurso aplicado, brilhante, atento e sonoro o deste jovem médico, com um dia-a-dia inacessível, ou não integrasse um dos sete grupos, a nível mundial, na cirurgia de transplantes de tecido composto (CTA), chega a fazer 1300 operações por ano na sua clínica. "Nunca fiz cosmética, é uma das coisas de que me faço gala. Não gosto de futebol, não fumo e não faço cirurgia cosmética; são as minhas três conquistas", clarifica Cavadas. Mas, o que destaca Pedro Cavadas, para um plano superior, onde muito poucos chegam, é a sua entrega à causa humanitária. Hoje opera mutilações no Quénia e no Uganda, onde tem de levar literalmente tudo, a maioria dos hospitais apresentam-se barracas, com bichos a andar pelo chão e onde as moscas, simplesmente, fixaram residência. Na periodicidade de uma a duas vezes por ano, porque as viagens da sua equipa ficam muito dispendiosas, Cavadas faz cirurgia reconstrutiva gratuita em crianças e adultos no continente africano. Por vezes, chega a trazer crianças para Espanha, bem como alguns dos seus familiares e hospeda-os na sua casa, em Valência, durante meses, enquanto recuperam do pós-operatório.
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São muitas as histórias de vida, vividas, que fizeram deste homem uma pessoa renovada. "Existe um antes e um depois de África", sublinha Cavadas. Acreditamos. Acreditamos todos!
A sua causa passa pela ética da espécie na ajuda ao próximo. "Podemos viver de costas voltadas para a nossa espécie, mas há coisas que não mudam com as culturas, as religiões ou as épocas históricas, que é um ser humano ajudar o outro".
Chega a ser comovente a grandeza da sua integridade e altruísmo. Cavadas abdicou do supérfluo, há anos atrás coleccionou carros de luxo, vendeu tudo, para se concentrar no essencial: "Um ser humano que estende a mão a outro ser humano porque acredita fazer o que deve", defende que este caminho, por si eleito, é um trilho ético e honesto, ontem, hoje e dentro de cem anos. Quanto às filhas, duas meninas chinesas e referindo-se a África, "Adorava que um dia fossem comigo, para que comparem e relativizem, mas ainda são pequeninas".
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São valores que permanecem na natureza humana, disponíveis a todos. Uns aproveitam.
Valores que atravessam os tempos e nos unem no mesmo caminho, com o mesmo sentido.
In Jornal Expresso, 27 de Outubro de 2007, Revista Única

Friday, November 9, 2007

Novembro


Chegou com os olhos cobertos de luz e afecto. Olhou com um olhar franco e aberto, deu-me a sensação de que, pela primeira vez na vida, o tinha visto integralmente.
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Novembro, sempre!

Wednesday, October 31, 2007

Estudos mal acondicionados



Num momento em que a atenção se prende no ensino, um dos temas quentes é o ranking nacional das escolas. Na semana passada, foram amplamente divulgados os rankings e as análises efectuadas foram, mesmo, levadas até à exaustam. Todavia, algumas questões apresentaram-se transversais a todos os estudos publicados: as escolas privadas levam a dianteira, destas, as Católicas são as melhores situadas, e ainda, as escolas Opus Dei merecem um posicionamento de relevo. Por outro lado, os olhares pesam, necessariamente, para a melhor média alcançada nos exames nacionais, na 1ª fase, do ensino secundário: pouco mais de uma dúzia de escolas apresentam, como média, valores iguais ou superiores a 13, sendo 14,1 a média mais elevada alcançada numa única escola. Valores que pouco nos orgulham!
É também neste momento, que o novo Estauto do Aluno fervilha, e com a sua efectuação - tal como se apresenta -, profundas modificações se avizinham. Serão benéficas?
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Com o novo Estatuto, o aluno deixa de chumbar por faltas e dissipa-se a diferença entre faltas justificadas e injustificadas. Quer com isto dizer, que o aluno que adoecer, e faltar, terá a mesma leitura e será igualmente tratado, ao aluno que passeie descontraidamente, faltando à escola, unicamente por faltar! Na nova proposta, esta diferença, apenas, e só existe, a partir do momento em que o aluno ultrapasse o limite fixado para as faltas injustificadas (no 1º ciclo sempre e quando o aluno falte 3 semanas e, nos 2º e 3º ciclos quando, o aluno, ultrapasse em 3 vezes o número de horas semanais por disciplina), aqui entra a medida excepcional, a prova, proporcionando ao aluno a realização de um momento de avaliação de recuperação. Esta prova ou provas, serão realizadas por iniciativa da escola e o peso desta(s) , na avaliação final do aluno, será decidido por escola (em conselho de turma).
E se o aluno faltar a essa prova? (a falta pode ser dada porque sim!)
Poderá o aluno repetir a(s) prova(s), no mesmo ano lectivo? Quantas vezes?
E as faltas disciplinares e de material?
"Só haverá faltas e excesso grave de faltas!", "É uma nova filosofia de intervenção pedagógica e disciplinar", "a escola pública inclusiva não pode permitir que se impeça um aluno de voltar à escola por conta, apenas, de um determinado número de faltas", defende a ala socialista.
in Jornal Expresso, 27 de Outubro de 2007, Primeiro Caderno
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Para enriquecer mais a informação que o Ministério da Educação possui, 16 das 20 escolas analisadas pela DECO apresentam dióxido de carbono e humidade em excesso, bem como, falta de ventilação. O ministério da Educação, nega!
(...) "Após a publicação deste estudo, o Ministério da Educação acusou a DECO de usar as escolas públicas para se autopromover. As avaliações foram consideradas erradas e o trabalho com falta de rigor. A ministra da Educação não nos reconheceu, também, capacidade técnica para o estudo. Após esta acusação, a DECO convidou o Ministério da Educação a publicar resultados que comprovem o bom conforto térmico e qualidade do ar nas escolas portuguesas. Mais: assume-se como uma entidade não fiscalizadora que apenas pretende chamar a atenção das autoridades e das escolas sobre esta matéria." (...)
in Revista PROTESTE, Novembro de 2007
Assim eles quisessem!
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Lembro-me de uma frase proferida pelo Presidente da República, Cavaco Silva, no dia 5 deste mês "O modo como a escola funciona no Portugal de hoje é um indicador do modo como o Portugal de amanhã funcionará".
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Valeria a pena casar todos os dados disponíveis e pensar diferente a orgânica das nossas escolas.
Assim eles queiram!





Friday, October 26, 2007

Prémio José Saramago

valter hugo mãe


valter hugo mãe vence Prémio José Saramago com o livro "O remorso de baltazar serapião". O romance publicado pela QUIDNOVI Literatura Portuguesa, em Abril de 2006, acaba de ser agraciado com o prestigiado Prémio José Saramago.


Numa Idade Média brutal e miserável, Baltazar Serapião casa com a mulher dos seus sonhos e - tal como o pai fizera antes com a mãe e com a vaca, fêmeas irmanadas em condição e estatuto familiar - leva muito a sério a administração da sua educação. Mas o senhor feudal, pondo os olhos na jovem esposa, não desiste de exercer sobre ela os seus direitos... Entregue aos desmandos do poder e do destino, Baltazar será então forçado a seguir por caminhos que o levarão ao encontro da bruxaria, da possessão e, finalmente, do remorso.
Com um notável trabalho de linguagem que recria poeticamente a língua arcaica e rude do povo, o remorso de baltazar serapião, de valter hugo mãe - autor, entre outros, de o nosso reino, seleccionado pelo Diário de Notícias como um dos melhores romances portugueses de 2004 -, é uma tenebrosa metáfora da violência doméstica e do poder sinistro do amor.
(texto na contracapa do livro)

Parabéns valter!
Beijo-te e abraço-te com carinho.

Tuesday, October 23, 2007

Ternura. Pratique-a!


"50% dos idosos admitem a legalização da eutanásia. O estudo pretendia apurar a opinião da população idosa portuguesa, com mais de 65 anos e sem doença terminal, sobre a prática do suicídio assistido. Foram abordados 815 idosos, institucionalizados em lares ou residências para a terceira idade em todo o país, incluindo Açores e Madeira. A maioria admite pensar frequentemente na morte".
Inquérito organizado pelo Serviço de Biómédica da Faculdade de Medicina do Porto.
in Jornal de Notícias de 14 de Outubro de 2007
Deste trecho, ressalvo o seguinte: metade dos idosos inquiridos, estão institucionalizados, não apresentam doença terminal, mas convivem com ideia da morte.
O tema a que me debruço, hoje, não é a eutanásia. Estar a favor ou contra?! O que seria, por si só, um tema controverso, necessário, importante e urgente debater, e, referenciar. Mas não, não é isso que trago nas palavras!
São pessoas saudáveis - no sentido de não sofrerem de doenças terminais e altamente incapacitantes -, que por um motivo ou por outro, pensam em findar o seu percurso de vida. E porquê?
Será normal, que metade da população suspire pela morte? Então, porque aceitamos este molde de sentir, na população com mais de 65 anos?
Numa época civilizacional em que cresce, a cada dia, a esperança média de vida, aumenta a longevidade, o progresso tecnológico difundiu o tempo, e a medicina já vai respondendo no sentido de minimizar os transtornos, e em alguns casos, até retardar o aparecimento de certas maleitas, típicas desta idade. Numa era em que crescem as actividades para estes jovens, desde: universidades; lares/residências/hotéis com técnicos especializados em gerontologia, médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, animadores sociais, actividades diversas como a leitura, jogos, jardinagem, culinária, pintura, bordado, ginásio, dança, cabeleireiro, esteticista, serviços religiosos, passeios sobre diferentes temáticas; centros de dia; apoios domiciliários, e, até turismo. Num momento em que se fala na quarta idade... e a terceira anda tão desanimada!
Este tempo deixou de nos prender a lugares e costumes de vida, hoje podemos aderir a diferentes hábitos de vida, e viver saberes inteiramente novos. Perante, este desmedido mimo, como nunca por aqui se viu, estes jovens sábios - é assim, que me confere evocá-los -, não se entusiasmam com absolutamente nada! Que injustos! Imerecidos até! E nós, filhos, tão inquietados!
Mas será que nos ocupamos de redesenhar actividades, espaços "ideais", num frenesi infernal, onde os nossos jovens sábios sejam, assim, arrumadinhos, e, nos esquecemos do essencial?
Abraça-los no seio da família, mas com o calor e a ternura, que os seus eruditos anos nos merecem!
A ternura é basilar - em qualquer momento do nosso longo processo de amadurecimento -, porque somos, seres ditos, sensíveis. Então, pergunto-me, porque temos, ou estamos, com uma expressiva falta de jeito e esta declarada incapacidade de a compartilhar, de a sentir, e de a dar?
Atrevo-me.
Hoje, já sorriu verdadeiramente para um "jovem"?
A ternura... é praticá-la!

Friday, October 12, 2007

Talvez o gato dê sorte!

É uma moda. É um espelho das cidades, ditas, desenvolvidas. É um sinal dos tempos modernos.
Quando se constrói uma estrada, é previsível, uma rotunda, pelo menos uma, irá ser edificada, para bem da circulação rodoviária, para um Portugal mais rolante. O problema parece ser mesmo esse, como rolar lá e sair inteiro?
Bem sei, as rotundas apresentam vantagens, é verdade: quebram a velocidade dos veículos, sem recorrer às lombas, essas tão odiosas bandas. Também não há necessidade de optar por sinais luminosos controladores da velocidade. De uma forma geral, as rotundas facilitam o fluxo de trânsito, também, quando comparadas com os cruzamentos e/ou entroncamentos. Por outro lado, concorrem para a diminuição da sinistralidade. Mas é aqui, que "a porca torce o rabo", se não vejamos, quem anda na estrada, depara-se com acidentes nas rotundas, diariamente, sem gravidade, é verdade, para bem dos intervenientes. Mas que os há, há! Digamos que é um prato do dia.
Então o que se passará? Se as rotundas apresentam muitas vantagens versos as outras alternativas, porque conservamos a imagem: uma rotunda, um acidente?

Será que o problema passa por não sabermos, nós os encartados, como circular nas rotundas?

Questionei-me: quais são as regras de trânsito a aplicar numa rotunda? Resolvi estender esta mesma questão a dois ou três amigos, também eles encartados, o resultado foi o pior possível!
A dúvida estava instalada!
Mesmo assim, pensei, será que seremos só nós, os únicos condutores, com hesitações quando nos aproximamos de uma rotunda? A resposta é obvia. Não! Basta estarmos atentos e constatamos os diferentes comportamentos dos condutores. Há os que circulam sempre pela direita (faixa de fora), independentemente da saída que vão tomar. Há os que circulam pelo interior, ou seja, pela esquerda e atiram - sim a expressão é mesmo essa, atirar - com o carro para as outras faixas de rodagem, trespassando-as, no momento em que pretendem sair da rotunda. Há também aqueles que piscam para a esquerda ou para a direita dizendo que vão sair, e não saem nada. E os que não "piscam nada", e saem da rotunda sem darem por nada, nem por quem lá anda. Estes têm a capacidade, singurar, de se sentirem únicos naquela rotunda. Digamos que a compraram, para aquele dia!
Agora digo: para além da dúvida, o próprio caos está instalado!
Com esta contenda no horizonte, arregacei as mangas e tentei esclarecer-me, mas desta vez, junto da razão - ou talvez não! Para tal, consultei a Direcção Geral de Viação (DGV), o Ministério da Administração Interna, um manual de código (aproveitando que o meu filho, mais novo, iniciou o estudo para se habilitar a ser portador de carta de condução), dirigi-me à Policia de Segurança Pública local (PSP) e a uma distinta escola de condução do nosso concelho. Posso dizer-vos, e só, porque estou a arejar, doutra forma teria pudor, que também aqui o esclarecimento não foi iniversal!
Depois disto, confesso que me sinto mais normal, no sentido de regular, comum. Afinal a circulação em rotundas não foi feita para qualquer encartado, é também necessário possuir um dom especial! Como que receber uma bênção divina! (ou lá está, ter ajuda do gato preto!)
Mas, adiante.
Como sair incólume de uma rotunda?
Apesar do Código da Estrada (CE) ter sofrido alterações, a DGV emitiu um comunicado, por considerar que o CE ainda apresenta lacunas, ou é mesmo omisso, no que diz respeito à circulação nas rotundas. A nota da DGV refere "uma rotunda não é mais do que uma praça composta por um cruzamento ou entroncamento, onde o trânsito se processa em sentido giratório, contrário ao dos ponteiros do relógio", "há que obrigar os condutores a circular sempre nas faixas interiores, sendo apenas permitida a passagem para a zona exterior no troço imediatamente antes da saída desejada", " evitar que as pessoas percorram toda a rotunda na faixa de fora, bloqueando a saída a outros veículos e gerando acidentes".
Ora, um olhar atento no CE, Decreto -Lei nº 44/2005, de 23 de Fevereiro, constantes dos artºs 13.º, nºs 1 e 2; 14.º, nºs 1, 2 e 3; 15.º, nº 1; 16.º, nºs 1 e 2; 21.º, nºs 1 e 2; 25.º, nº 1, c) e 43.º, nº1. Com rigor, a verdade parece ser um pouco diferente. De forma muito resumida, apresento, o que o CE nos diz:
- O trânsito deve fazer-se pelo lado direito da faixa de rodagem e o mais próximo das bermas ou passeios.
- Quando necessário pode utilizar o lado esquerdo da faixa de rodagem para ultrapassar ou mudar de direcção.
- Sempre que existam, no mesmo sentido, duas ou mais faixas de trânsito, mesmo em rotundas (dentro e fora das localidades) deve circular pela via mais à direita possível, podendo, utilizar o lado esquerdo da faixa de rodagem para ultrapassar ou mudar de direcção.
- Dentro das localidades, os condutores devem utilizar a via de trânsito mais conveniente ao seu distino, só lhes sendo permitida a mudança para outra, depois de tomadas as devidas precauções, a fim de mudar de direcção, aproximar-se com a necessária antecedência e quando possível, do limite direito da faixa de rodagem e fectuar a manobra no trajecto mais curto.
- Nos cruzamentos, entroncamentos e rotundas o trânsito deve efectuar-se por forma a dar a esquerda à parte central dos mesmos.
- Quando o condutor pretender mudar de direcção ou de via de trânsito, deve assinalar com a máxima antecedência possível. E, este sinal só deve ser apagado quando a manobra estiver concluída.
- O condutor deve moderar a velocidade, de entre várias situações, sempre que se aproxima de rotundas. Bem como, deverá ceder a passagem quando entra numa rotunda.
Assim, e antes de me ir embora, deixo aqui um repto: o que terá valor legal, em caso de acidente? A "nota explicativa" da DGV, ou o CE?
Este é um assunto que deveria merecer um olhar mais diligente das autoridades, tão empenhadas em diminuir o indice de sinistralidade. É que este faz-de-conta, só é favorável aos bate-chapas!
(Venha o gato, mas o preto!)

Sunday, September 30, 2007

Idosos, não basta olhar para eles. É necessário olhar por eles!

A propósito do Dia Internacional do Idoso, que se comemora amanhã,
construí uma mensagem na voz de um idoso, com a memória de muitos.





Espero por ti.
Lembro-me do que não quero, e dói!
Há tanto tempo que a memória se atrapalha e me confunde...
Sinto falta das páginas que rasguei.
Momentos que a vida me proibiu.
Não me lembro de nada,
a verdade é que não me lembro de quase nada.
Desta fragrância à solta, no ar...
Onde estou? Tardei em perceber.
Não que eu não reconhecesse as imagens, os sítios, os odores, as cores...
Mas tardava a encaixa-los dentro de mim.
O que terá ocorrido e que dê nome a esta ausência?
A este nada tão acentuado?
Uma parte de mim, não acredita...
O que terei feito, e que me recuse agora a ver?
E a sentir, e a reaprender?
Fraquejei em momentos só nossos. Só pode!
Agora me lembro, já não te trago ao colo.
Mas gostei de ouvir-te crescer. De me chamares e, de te esperar.
Ouvia-te sempre, ainda que não desses por mim!
Hoje sei-te sempre em qualquer lado.
Mas sei-te. E isso baste-me!
Fazes parte da minha vida,
iluminas o meu caminho, sem o saberes.
E dói! É isso que dói, percebes?
Nunca mais te partilhei...
Amo-te!
Ainda experimento os nossos andamentos ao longo dos anos, e
sinto a paz da tua companhia, e o encanto da última vez!
Só. Cada passo é mais custoso.
Cada dia mais sofrido, e o choro, é a minha companhia!
É difícil saberes o que quero, quando estou no escuro e
no silêncio do fim,
especialmente porque não há quem me ajude.

Filho, espero por ti.

Friday, September 14, 2007

O meu olhar é nítido como um girassol


O meu olhar é nítido como um girassol.
Tenho o costume de andar pelas estradas
Olhando para a direita e para a esquerda,
E de vez em quando olhando para trás...
E o que vejo a cada momento
É aquilo que nunca antes eu tinha visto,
E eu sei dar por isso muito bem...
Sei ter o pasmo comigo a cada momento
Para a eterna novidade do mundo...
Creio no mundo como um malmequer,
Porque o vejo. Mas não penso nele
Porque pensar é não compreender...
O mundo não se fez para pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo.
Eu não tenho filosofia: tenho sentidos...
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso,
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe porque ama, nem o que é amar...
Amar é a eterna inocência,
E a única inocência é não pensar...
Alberto Caeiro

Friday, August 10, 2007

Coimbra em pormenor ou Coimbra pormaior?

Levanto as ideias. Serei breve.
Privemos alguns momentos






Cidade popular - leia-se conhecida, não oca -, de alicerces eruditos.


Bela, sublime e feérica.


Toda ela é voz!




Difícil viver sem esperar vir a recordá-la uma e outra vez...


Coimbra vives aqui!














Thursday, August 2, 2007

Psspss!


As vacas são perigosas para o ambiente. Quem o afirma são cientistas.
As vacas e os outros herbívoros são responsáveis por 17 por centro das emissões de metano para a atmosfera. O metano é um gás 23 vezes mais potente para o aquecimento global do que o dióxido de carbono. E as vacas são, de entre todos os animais, os que mais metano produzem à superfície da terra, bem como, os que mais quantidade deste gás libertam. Uma vaca solta diariamente entre 300 a 500 litros de metano.
Mas que flatulência!
A grande preocupação vai para o estômago destes ruminantes. Parece que 80 por cento do que a vaca ingere é libertado sob a forma de gás e estrume.
Que caca!
Acontece que o consumo de carne de vaca duplicou desde 1900 até hoje, e voltará a duplicar até 2050. O leite animal, também, acompanha este crescimento.
E nós, teimosamente, não pretendemos alterar os nossos hábitos alimentares!
E a questão é inevitável: como controlar os gases das vacas?
O cientista Winfried Dchner, da Universidade de Hohernheim, na Alemanha, apresentou uma solução: pílulas anti-arrotos para vacas. A pílula do tamanho de um punho fechado é uma superpílula baptizada de "Bolus", composta por substâncias microbiológicas que se libertam no estômago das vacas, durante vários meses, auxiliando a digestão.
"... com novos métodos, podemos reduzir a influência das vacas no efeito de estufa até 3 por cento, e ainda economizaremos dinheiro", diz Dochner, especialista em nutrição animal. O cientista ainda procura patrocinadores para a sua ideia.
Cientistas do Instituto Federal de Tecnologia da Suíça, em Zurique, apresentam uma proposta de trabalho diferente, afinal é disso que se trata: rações aditivadas que reduzem entre 10 a 40 por cento as emissões de metano por parte dos herbívoros.
Do País de Gales chega uma ideia, no mínimo curiosa: as vacas devem comer alho. Desta forma, a emissão de metano será reduzida em 50 por cento.
Depois, ninguém se queixe do hálito das vacas!
Quem diria que a aerofagia bovina é, já hoje, um problema para a humanidade?

Tuesday, July 17, 2007

Bandeira Azul. Onde?


Imagem do Jornal Expresso, Verão 2007


As medidas de preservação ambiental, implementadas, são distintas de município para município, também este jeito caracteriza a singularidade de cada concelho. E, aumenta a riqueza patrimonial sobre determinada região - ou não -, bem como, ou melhor ainda, equidistante com os aspectos sociais, históricos, económicos e geográficos.
O ambiente assume, hoje, numa grande parte das autarquias, uma posição privilegiada. Constitui uma prioridade individual, edificar a consciência que a qualidade ambiental está directamente relacionada com gestos diários, que dependem, na sua totalidade, de comportamentos.
Em marcha o Projecto ECO XXI procura reconhecer as práticas sãs de sustentabilidade desenvolvidas ao nível do município. A participação no Projecto ECO XXI é voluntária, assim, é responsabilidade de cada autarquia, a decisão de apresentar candidatura. A ABAE (Associação Bandeira Azul da Europa) desenvolve em Portugal, campanhas, projectos e programas direccionados à mudança de comportamentos através da sensibilização e educação ambiental, reconhecendo os municípios pelas "boas práticas". O ano "zero" do Projecto ECO XXI foi em 2005, nele participaram trinta e oito (38) municípios: Albufeira, Alcobaça, Almada, Angra do Heroísmo, Aveiro, Azambuja, Bragança, Caldas da Rainha, Cantanhede, Cascais, Coimbra, Entroncamento, Esposende, Figueira de Castelo Rodrigo, Ílhavo, Lagos, Loulé, Matosinhos, Oeiras, Ovar, Paredes, Pombal, Ponta Delgada, Porto, Porto Moniz, Praia da Vitória, Santarém, Santo Tirso, São Brás de Alportel, São João da Madeira, Setúbal, Sever do Vouga, Sintra, Tavira, Torres Vedras, Viana do Castelo, Vila do Bispo e Vila Nova de Gaia. Destes, quinze (15), alcançaram os objectivos mínimos: Albufeira, Aveiro, Azambuja, Bragança, Caldas da Rainha, Cantanhede, Esposende, Ílhavo, Oeiras, Ovar, Porto, Praia da Vitória, Santo Tirso, Sever do Vouga e Vila de Bispo. Dezassete (17) alcançaram os objectivos definidos: Alcobaça, Angra do Heroísmo, Cascais, Coimbra, Lagos, Loulé, Matosinhos, Pombal, Ponta Delgada, Santarém, São Brás de Alportel, Setúbal, Sintra, Tavira, Torres Vedras, Viana do Castelo e Vila Nova de Gaia. Almada, único município que, alcançou mérito face aos objectivos definidos, e os restantes municípios obtiveram, apenas, o resultado de participação, face aos objectivos definidos para 2005.
Relativamente ao ano 2006, não se identificam, os municípios que se candidataram ao Programa ECO XXI, mas pela imagem que se apresenta, dá para antever, os que se candidataram! A imagem espelha parte da costa portuguesa, onde algumas praias foram premiadas com Bandeira Azul, para a época balnear de 2007.
Que vazio!
Que provoque e, favoreça uma reflexão crítica.
"(...) Os cidadãos compreendem hoje que a grande tarefa não é a de procurar um ideológico da História, mas o de assegurar a sua continuidade indefinida, em condições de dignidade para os vindouros."
Estratégia Nacional Para o Desenvolvimento Sustentável - ENDS. 2005-2015. Portal do Governo on-line.

Tuesday, July 3, 2007

Vila de Aver-o-Mar

Festa comemorativa da elevação de Aver-o-Mar a vila.

Os olhos de Aver-o-Mar ficaram no Largo da Igreja.






Manuel Gomes da Torre, professor catedrático

Luisa DaCosta, escritora

Tuna Masculina do Instituto de Engenharia do Porto








Sunday, July 1, 2007

MG - IV


MG sim ou não? Subsiste a dúvida.
De uma forma geral, os argumentos a favor da MG assentam em questões económicas, tecnológicas e na necessidade da ciência avançar - competição mundial de produtos agrícolas, aumentar a produção de alimentos a um baixo custo, etc. Também se advoga que os alimentos transgénicos (alimentos que possuem no seu ADN um gene alheio, isto é, foi-lhes introduzido um gene de outro ser vivo para lhes melhorar/alterar determinadas características) trazem benefícios para a saúde, um alimento pode ser enriquecido com um componente nutricional essencial. Exemplos de alimentos transgénicos:
O feijão que, por inserção do gene da castanha-do-pará, passou a produzir metionina, um aminoácido essencial. O arroz MG contém vitamina A em quantidades mais elevadas. O tomate MG possui três vezes mais vitamina A, do que apresenta em condições normais. É possível colher plantas com a função de prevenir, reduzir ou evitar riscos de doenças, através da produção de proteínas e até mesmo vacinas. Obter coalho para queijos através de bactérias, como é o caso da Echerichia coli transgénica, revela-se hoje possível. A produção de fermentos para panificação e enzimas industriais com bactérias transgénicas, também se declarou uma realidade, tal como, produzir aspartame (adoçante artificial) utilizando enzimas transgénicas na sua preparação.
"A Engenharia Genética (EG) permite que se componham alterações pontuais nos genomas, utilizando genes cuja acção é estudada antes e depois de serem inseridos na planta. Já a obtenção convencional de híbridos por cruzamento envolve um conjunto de genes que não são conhecidos. É como abater um alvo no escuro". Opinião de Dr. Manuel Teixeira Souza Júnior, Geneticista e Investigador.
Através da EG é possível diminuir o uso de pesticidas e alcançar alimentos mais nutritivos, resistentes a pragas e capazes de suportar um período maior de armazenamento, sem que com isso, se alterem.
A bactéria Echerichia coli é capaz de produzir insulina humana através da introdução do gene humano para a síntese desta proteína no seu ADN - a insulina é indispensável para o tratamento da diabetes. Em fase de estudo e testes encontramos vacinas alimentares; através da EG, "unem-se" linfócitos (glóbulos brancos) com outras células de crescimento rápido. O resultado é o fabrico de anti-corpos e vacinas que chegarão ao mercado mais rapidamente. A um andamento menos longínquo, está a Biotecnologia Genética (BG) que, hoje, apresenta os primeiros passos na regeneração de órgãos e tecidos humanos. Se até aqui, tudo se apresentava complicado e até difícil de digerir, com a introdução da BG, a ciência parece tornar-se desconforme e, em parte, até distante. Pelo menos assim pretendemos encarar os procedimentos médicos na BG, como algo que anuncia num ecrã, portanto, para amanhã. Dolly. Células estaminais. Alzheimer. Clonagem. Genoma Humano: Mapeamento e Projecto. Eugenia. Não. Hoje não estamos disponíveis.
Não resistimos à tentação de fazer algo, só porque o podemos fazer. Por isso, existem dias, em que ando a matutar na ideia: a vaidade e a necessidade de afirmação de certos seres humanos é muito mais perigosa do que, qualquer, clonagem.

Monday, June 25, 2007

MG - III


As opiniões dos cientistas dividem-se.
Para além das questões ambientais, os alimentos transgénicos podem originar dúvidas quanto aos riscos para a saúde humana. A tecnologia utilizada é recente, e os efeitos que os alimentos transgénicos podem causar no ser humano e no ambiente são desconhecidos.
Os cientistas levaram 45 anos para descobrir que o gás CFC era prejudicial à camada de ozono.
Em 1947, quando se iniciou a utilização de DDT na agricultura, só eram visíveis os aspectos positivos. Foram necessários 20 anos para que os malefícios à saúde humana fossem comprovados.
Como nasceu a MG?
O desenvolvimento desta técnica tem-se verificado a uma velocidade alucinante (semelhante à que observamos na Informática). Este tema ficou na ordem do dia, com a agricultura experimental - a MG pratica-se desde os anos 70. O início aconteceu com alterações implementadas nos genes de bactérias, através da MG no ADN - obteve-se uma bactéria, através de outra, com um gene resistente a um determinado antibiótico.
O processo utilizado para modificar o conteúdo genético consiste, basicamente, na inserção de genes de outras espécies; sejam elas vegetais ou microbiológicas. Os genes poderão ser retirados originalmente de formas de vida totalmente distintas. Por exemplo, um milho transgénico cuja característica implantada consiste na produção das suas próprias defesas contra insectos. Este milho poderá ter uma sequência genética alterada, através da inserção de genes de uma bactéria prejudicial para o insecto em questão.
Hoje é possível comprar, a empresas especializadas plasmídios (pequenas estruturas de ADN que são usadas como vectores - transportadores de genes), construídos com genes de 4 ou 5 organismos diferentes e mais uma peça sintetizada em Laboratório.
A primeira planta transgénica foi obtida em 1983, com a incorporação de ADN de uma bactéria. Em 1992 alcançou-se tomate, também por MG e, em 1994 já se comercializava tomate por MG, nos EUA.
"Frakenfood" é o nome que os ambientalistas deram a este tipo de comida; é uma mistura de Frankenstein e food.
Alguns cientistas consideram a MG uma conquista, para o progresso humano, e não um monstro a ser abatido.
Será?

Monday, June 18, 2007

MG - II


Não é simples nem inócuo mexer com a Natureza.
Cientistas alertam para o perigo da Manipulação Genética (MG). Os argumentos contra a MG estão relacionados com temores quanto à saúde humana, animal e ambiental - contaminação e empobrecimento da biodiversidade, poluição ambiental (contaminação de solos e lençóis de água através de agrotóxicos), extinção de espécies (eliminação de insectos e microorganismos), desenvolvimento de alergias, aumento de resistências aos antibióticos e aparecimento de novos vírus decorrentes da manipulação e recombinação de vírus.
Uma empresa dos Estados Unidos da América patenteou um gene apelidado de "exterminador". Ele é incorporado às sementes, que após serem colhidas ficam estéreis. Desta forma, o agricultor é obrigado a comprar, novamente, a semente que pretende plantar! O gene em causa, também, poderá ser levado pelo vento, juntamente com os grãos de pólen, fecundar flores e plantas silvestres ou domésticas, tornando-as, irremediavelmente estéreis! Este gene, o "exterminador", pode causar uma irrepável destruição no património da humanidade.
Outro problema gravíssimo, afirmam os anti-transgénicos, é a perda de controlo sobre estes alimentos, podendo afectar outros. Assim, podemos prejudicar outras espécies de plantas, além de animais, causando um desiquilíbrio ecológico com consequências imprevisíveis. Um exemplo, também nos Estados Unidos da América, foi a enorme mortalidade de borboletas Monarch, após serem contaminadas pelo pólen do milho geneticamente modificado, Bt. Losey. O local em que o gene é inserido pode não ser completamente controlado, o que pode causar resultados inesperados, uma vez que os genes de outras partes do organismo, podem ser afectados. No caso da soja, MG, existe o receio de que uma substância - a EPSPS -, provoque efeitos inesperados no organismo do consumidor, como alergias ou outro tipo de situações. Mesmo que o gene tenha sido preparado em laboratório para funcionar apenas nas folhas, e não nos grãos (parte comestível), não há garantias de que assim aconteça!
Novas proteínas que causam reacções alérgicas podem ser transferidas para outros alimentos e, apresentarem as mesmas reacções. Por norma, o consumidor identifica os alimentos que lhe causam alergias, mas aqui, o perigo reside no facto, de o mesmo consumidor perder o controlo e a identificação do alimento, para si, "perigoso".
Apenas com o olhar não é possível diferenciar um alimento transgénico de um natural, por isso, muitas empresas introduzem no mercado produtos GM.
Será vantajosa a MG?

Wednesday, June 13, 2007

MG - I

Manipulação Genética (MG): a compreensão dos benefícios e prejuízos, deste vasto e polémico tema, não é pacífico.
"Para saciar a fome mundial, seria necessário duplicar a actual produção de alimentos até 2025." Alguns especialistas advogam que este objectivo só é possível através da utilização de alimentos transgénicos, exibindo benefícios tanto para a saúde dos consumidores, como para a natureza, indo mais longe, apresentando vantagens, também a nível económico. Contudo, não é uma orientação consensual, assim: outros especialistas são categóricos nas suas afirmações defendendo, a inevitável, existência de malefícios para a saúde dos consumidores e para o meio-ambiente.

O conhecimento das características genéticas dos seres vivos tem permitido que certas situações, outrora irreparáveis, possam ser melhoradas e até totalmente solucionadas. Com o crescente desenvolvimento e aperfeiçoamento da tecnologia, surgiu a Engenharia Genética (EG).
A EG revolucionou a agricultura, multiplicou a capacidade de produção de alimentos, resistência a pragas, mais tempo de armazenamento sem alterar as características dos alimentos, melhorou a comercialização, tudo isto, a abaixo preço. A EG desempenha um papel cada vez mais importante nos domínios da agricultura, do sector agro-alimentar e da saúde. A produção de hormonas (insulina, hormona do crescimento,...), de vacinas, de certos factores de coagulação do sangue, a formação de espécies resistentes, são alguns exemplos.
Nos Organismos Genéticamente Manipulados (OGMs) ou Alimentos Transgénicos a estrutura genética, o ADN (ou DNA - designação em inglês -, abreviatura de Ácido Ribonucleico), foi modificado pelo homem através da EG, de modo a atribuir a esses seres uma característica não programada pela natureza. Por exemplo: a casca de determinada maçã, quando madura, é vermelha. Existem genes responsáveis por essa cor. Isolados e, transferidos para a banana, quando esta amadurecer não terá a cor amarela, mas sim vermelha. Esta banana será um OGM. Alimentos transgénicos são OGMs, possuem genes transferidos de outros organismos.
A MG de alimentos é hoje um processo irreversível!
Em 1990 não havia cultivo de soja transgénica, segundo dados do Greenpeace. Já em 1998, a área cultivada tinha superado os 28 milhões de hectares. Os primeiros alimentos transgénicos foram: soja, milho, algodão e banana. Entretanto, a banana, brócolos, café, cenoura, morango, abacaxi, tomate, abóbora, feijão, arroz e trigo são exemplos de alguns OGMs que hoje estão disponíveis.
Os OGMs são criados em Laboratório com a utilização de genes de espécies deferentes, com esta nova tecnologia, é possível, por exemplo, introduzir um gene humano num... porco. Ou, um gene de rato, de bactéria, de vírus ou de peixe em... arroz, soja, feijão, etc.
Será simples mexer com a Natureza?!

Friday, June 1, 2007

Criança


Com os braços abertos, falo de amor.
Com os olhos, abraço a alma, e
com os sentidos despertos, recebo.
Os laços de vida são imutáveis,
os sentimentos aderem em silêncio. Já,
os projectos de vida, podem renovar e inovar-se.
A vida é erguida com traços pessoais.
Quanto ao teu doce olhar, permanece.
O sorriso, esse, é contagiante e transbordante.
E o amor renova-te!
O desafio é traduzir "criança" para um sentido universal.

Tuesday, May 22, 2007

Elefantes do Chade, cada dia menos presentes



"...abatidos por culpa de alguns quilos de marfim destinados a satisfazer a vaidade humana nalguma terra distante."
in National Geographic, Março 2007
Estas palavras ressoam na minha cabeça e desfazem-se num vómito de ódio e repulsa.
As imagens são suficientemente fortes e desnudam uma prática cruel, que a todos deveria envergonhar. Tratam-se de práticas de violência injustificada, infringir a morte, o sofrimento dos animais... ou talvez não?!
Porque é que a anarquia e a violência contra os animais cresce a cada dia que passa?
Será que os seres, ditos, civilizados apresentam um recuo civilizacional?!
Energúmenos!




Sunday, May 6, 2007

Dia da Mãe

Mãe,

A distância que experimento na vida,
motivada pelo teu nada na minha existência,
já não é como uma lança fincada na pele que me agonia,
mas, ao invés, um manto!
Um manto negro, suave, deleitoso e quente. E,
cobre-me e, compreende,
brindando-me com momentos de tranquilidade.
Esta distância efectiva, grande,
grande que me impede de ficar só,
olha, já me faz companhia!

Feliz Dia da Mãe!

(Ficou um hino às minhas "duas MÃES" e,
não é, nem metade do que tenho cá dentro!)

Tuesday, May 1, 2007

A diferença vive entre nós


Fere-me o facto da nossa sociedade, ainda impor às pessoas com deficiência física e mental, ritmos de vida diferentes. Será que ainda não constatamos que somos todos, verdadeiramente, iguais?

As pessoas portadoras de uma deficiência dispensam a nossa generosidade, a nossa compaixão e a nossa pena. O que necessitam é de ausência de barreiras físicas, à sua mobilidade, e ausência de barreiras intelectuais, as mais condenáveis.
Ainda é comum o olhar piedoso para o "coitadinho", que é tão-somente, uma pessoa com deficiência física ou mental. Mas, e acima de tudo, uma pessoa! Uma pessoa com os mesmos direitos e deveres, numa sociedade, dita desenvolvida e em pleno séc. XXI.
O que estas pessoas precisam é de estímulos, de manifestações de apoio, e de uma luta em conjunto pela democratização das oportunidades, para que vivam o seu dia a dia de forma digna e feliz!
Assim, pergunto-me, onde estão os edifícios públicos e/ou privados, preparados para uma cadeira de rodas? Se estas, não passam nas portas! E as rampas de acesso? Os poucos edifícios que as apresentam têm uma inclinação tal, que dificilmente sozinha, em cadeira de rodas, uma pessoa as pode transpor! E os transportes públicos? Também estes estão desajustados, e inadaptados para as receber. Como podem ser autónomas estas pessoas, tão iguais a nós? Se pensarmos nos passeios, constatamos que apresentam verdadeiras armadilhas para um invisual, ou deficiente motor. E as rampas? Não estão lá!

Porque teimamos em não aceitar, de forma natural, as pessoas com deficiência? Se amanhã, qualquer um de nós pode ser diferente, a viver entre iguais?!

Wednesday, April 11, 2007

Memórias



A vida é lavrada em memórias,
é isso que conta por último.

Ninguém ousou falar, avançar...
Talvez porque soubessem que aquele dia seria o derradeiro.
Depois trocaram um caloroso abraço,
um sentido e apurado abraço,
para não ficarem em ruínas e em silêncio,
porque nestes casos,
as palavras só servem para atrapalhar os sentimentos.
Um fio salgado aconteceu...
Mesmo assim desembrulharam um sorriso.
E as mãos? Vacilavam cheias de dúvidas.
Os sonhos acolhidos algures,
os olhos não falavam, a maior parte do tempo,
ainda que presentes!
Quem diria que as palavras subtraídas assentassem tão pesadamente?