Tuesday, October 23, 2007

Ternura. Pratique-a!


"50% dos idosos admitem a legalização da eutanásia. O estudo pretendia apurar a opinião da população idosa portuguesa, com mais de 65 anos e sem doença terminal, sobre a prática do suicídio assistido. Foram abordados 815 idosos, institucionalizados em lares ou residências para a terceira idade em todo o país, incluindo Açores e Madeira. A maioria admite pensar frequentemente na morte".
Inquérito organizado pelo Serviço de Biómédica da Faculdade de Medicina do Porto.
in Jornal de Notícias de 14 de Outubro de 2007
Deste trecho, ressalvo o seguinte: metade dos idosos inquiridos, estão institucionalizados, não apresentam doença terminal, mas convivem com ideia da morte.
O tema a que me debruço, hoje, não é a eutanásia. Estar a favor ou contra?! O que seria, por si só, um tema controverso, necessário, importante e urgente debater, e, referenciar. Mas não, não é isso que trago nas palavras!
São pessoas saudáveis - no sentido de não sofrerem de doenças terminais e altamente incapacitantes -, que por um motivo ou por outro, pensam em findar o seu percurso de vida. E porquê?
Será normal, que metade da população suspire pela morte? Então, porque aceitamos este molde de sentir, na população com mais de 65 anos?
Numa época civilizacional em que cresce, a cada dia, a esperança média de vida, aumenta a longevidade, o progresso tecnológico difundiu o tempo, e a medicina já vai respondendo no sentido de minimizar os transtornos, e em alguns casos, até retardar o aparecimento de certas maleitas, típicas desta idade. Numa era em que crescem as actividades para estes jovens, desde: universidades; lares/residências/hotéis com técnicos especializados em gerontologia, médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, animadores sociais, actividades diversas como a leitura, jogos, jardinagem, culinária, pintura, bordado, ginásio, dança, cabeleireiro, esteticista, serviços religiosos, passeios sobre diferentes temáticas; centros de dia; apoios domiciliários, e, até turismo. Num momento em que se fala na quarta idade... e a terceira anda tão desanimada!
Este tempo deixou de nos prender a lugares e costumes de vida, hoje podemos aderir a diferentes hábitos de vida, e viver saberes inteiramente novos. Perante, este desmedido mimo, como nunca por aqui se viu, estes jovens sábios - é assim, que me confere evocá-los -, não se entusiasmam com absolutamente nada! Que injustos! Imerecidos até! E nós, filhos, tão inquietados!
Mas será que nos ocupamos de redesenhar actividades, espaços "ideais", num frenesi infernal, onde os nossos jovens sábios sejam, assim, arrumadinhos, e, nos esquecemos do essencial?
Abraça-los no seio da família, mas com o calor e a ternura, que os seus eruditos anos nos merecem!
A ternura é basilar - em qualquer momento do nosso longo processo de amadurecimento -, porque somos, seres ditos, sensíveis. Então, pergunto-me, porque temos, ou estamos, com uma expressiva falta de jeito e esta declarada incapacidade de a compartilhar, de a sentir, e de a dar?
Atrevo-me.
Hoje, já sorriu verdadeiramente para um "jovem"?
A ternura... é praticá-la!

2 comments:

De Profundis said...

Um sorriso para ti,porque sei que praticas a ternura todos os dias.
Aí estão as tuas palavras a testemunhá-lo...

Um beijinho

Anonymous said...

Tem mt logica o q diz,acontece q a vida leva-nos a esquecermo-nos de nós! Qd nos lembrarmos axo q vai ser tarde. Aí estamos nós sós. Solitarios. Tal cmo tds os idosos hj.