Monday, February 7, 2011

Às vezes esquecemo-nos de tanto...


Às vezes é preciso dar a mão. Às vezes é só preciso dar a mão. Unir as mãos e ficar... sem pressa! Dar lugar ao silêncio, e usá-lo por companhia. Deixar as palavras lá fora. E ficar cá dentro. Unir as mãos como se dos corações se tratasse e, deixar chorar... Às vezes é urgente chorar. Muitas vezes é necessário chorar. Outras ainda, só lhes resta chorar. E, outras vezes ainda, só conseguem chorar!

Parece simples?! Mas não é. Por norma, ficamos incomodados. Assim, meio sem jeito, e temos dificuldade em gerir esses momentos, e os sentimentos que os envolvem... e depois temos o, péssimo, habito de dizer: "Não chore! Porque está a chorar? Não fique assim!...", e, esquecemo-nos que na maioria das vezes, "o assim" é a forma de chegarem até nós, em muitas circunstancias, a única. Esquecemo-nos que é um modo de agradecimento, que é um abraço e até um beijo. Esquecemo-nos que é uma forma de demonstrarem como as maleitas do coração doem que se farta! Esquecemo-nos de que têm saudades de um tempo que já lá vai, no tempo. Esquecemo-nos que se sentem perdidos, arrumados num corpo que não reconhecem...

Às vezes, esquecemo-nos que não dói embalar o choro... e que é urgente!

7 comments:

rouxinol de Bernardim said...

Esquecer é para muitos... uma saída, uma escapatória, um sedativo...

Há tanta alienação (alheamento... olvido patológico) nesta sociedade
de mendigos mentais...e afetivos...

Como será possível o alheamento, sem sofrimento?! Assistir a «isto» e não gritar, não tomar partido por quem sofre... é, no mínimo, doentio...

Anonymous said...

Não tenho palavras... acho que ficaram lá fora como tu dizes...! Amei!

JMC

sentidos de coimbra said...

Acontece, rouxunol de Bernardim, que as pessoas vivem cada vez mais em espaços virtuais... a tecnologia tornou possível controlar tudo, excepto além da tecnologia. A família ficou mais distante, os amigos menos presentes, e sem querer, esquecemo-nos que a vida é aqui...!
Às vezes dou comigo a pensar - a tecnologia multiplicou-se tanto à nossa volta e cresceu de tal forma que nos separou da linguagem do rosto e do olhar... Depois, inserido nesta sociedade, chamemos-lhe urgente, esquecemo-nos dos mais velhos.. E aí sim, estamos seguramente numa sociedade doentia. Pelos menos a avaliar pela forma como tratamos os mais velhos!

(foi um desabafo... às vezes quando começo a falar...)

sentidos de coimbra said...

Para ti JMC um :)

Sandro Farias Teixeira said...

Ah que bonito o coração quando deixa fluir pelas mãos sentimentos tão bem escritos.. =]

Denise Vieira said...

Seus textos são impecáveis! Esse é muito tocante, fala diretamente aos nossos sentimentos mais vividos. Chorar é parte da vida. Quem nunca chorou? Lágrimas são derramadas por inúmeros motivos. Adorei seu Blog! Tenho parentes em Portugal e conheço esse lindo país. Se puder visite-me.Abraços!

sentidos de coimbra said...

Olá Denise Vieira,
Obrigada pelo carinho na sua mensagem. :)
Volte sempre, vou agora ao seu blog.
Abraços,

cristina torres