Monday, February 18, 2008

Parabéns a um amigo

Parabéns a você
nesta data querida
muitas felicidades
muitos anos de vida...
(deverás ler a cantar)


Encontrar um amigo


No começo a sombra, depois, em perfis mais claros – a imagem -,
as cores, o aroma, os gesto e a alegria.
Mais tarde, o ritmo e o movimento no dia,
e a luz, e o ar, e a água, e o som e a amizade.
Sorriu.
A amizade escasseia, lá, onde
o olhar não alcança.
A amizade está no coração (que não é de carne),
e pousa, e repousa, e não tem pressa,
nunca tem pressa. E não sai dali.
Sempre, o movimento dos sonhos. Que
têm a cor e o cheiro de cada amizade.
E o rosto da nossa… é o sorriso.

Thursday, February 14, 2008

Pai


Pai,
A tua voz e o teu cheiro reabrem momentos há muito esquecidos.

Com amor,

Saturday, February 9, 2008

Com afecto



O que vimos exactamente?
Com os olhos, as mãos e o corpo, falo-te.
Assim, de uma maneira graciosa... sentes?
(Comovo-me com o entusiasmo.)
Há pessoas que nos tocam sempre.
Saboreei ver-te!

Sunday, February 3, 2008

Reprieve


A lei internacional é clara: nenhum avião estrangeiro pode sobrevoar território nacional sem o consentimento do Governo.

Em 2006 o Governo português respondeu ao secretário-geral do Conselho da Europa – Terry Davis -, a propósito de prisões secretas e transporte de suspeitos de terrorismo, não haver: “evidência de qualquer envolvimento das autoridades portuguesas ou agentes do Estado em privações de liberdade e transportes ilegais”, bem como, “não havia provas que qualquer aeronave utilizada para transferências de suspeitos tenha usado o espaço aéreo português”. Acontece que estas afirmações nada têm a ver com o relatório da Reprieve, onde se pode ler “centenas de prisioneiros terão alegadamente passado por território português sem oposição do Governo de Lisboa”.
(in Jornal Expresso, 02 de Fevereiro de 2008)
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A Reprieve é uma organização não-governamental fundada por Clive Stafford Smith, em 1999, para dar apoio legal a reclusos vítimas de abusos e injustiça. Clive Smith nasceu no Reino Unido mas estudou nos EUA, formando-se em Direito. Presentemente representa dezenas de prisioneiros em Guantanamo e trabalha activamente em campanhas pela sua libertação, assim como, contra as condições de detenção em Guantanamo. Desta forma, Clive Smith coagiu George W. Bush a aceitar o acesso de advogados aos prisioneiros de Cuba. Muitos têm beneficiado desta singular ajuda, ainda em Dezembro último, foram libertos, por interferência da Reprieve, Omar Deghayes, Jamil el Banna e Abdennour Sameur, após vários anos encarcerados por suspeita de terrorismo, na ilha cubana. Esta organização apresenta, agora, filiais nos EUA, Austrália e Holanda.
Ainda pelas palavras de Clive Smith, director da ONG Reprieve: “Contudo, posso identificar 728 prisioneiros que foram transportados – algemados, encapuzados e, muitas vezes, espancados – em aviões norte-americanos, que sobrevoaram o espaço aéreo português a caminho da prisão na Baía de Guantanamo. Eles representam 94% das pessoas que foram para àquele lugar sem lei. Pelo menos nove aeronaves americanas fizeram escala nos Açores antes de continuarem a sua viagem para o «buraco negro legal»“; “O Governo português teve certamente conhecimento deste processo, ou então permitiu que aviões militares estrangeiros sobrevoassem o seu território sem permissão”; “Não lhes peço que condenem o vosso Governo sem que se cumpram os devidos procedimentos. Isso é o que a Administração Bush faz aos prisioneiros que representamos. Em vez disso, o Governo português deveria falar abertamente ao país e apurar a verdade. Se o Governo não disser a verdade terá inevitavelmente de enfrentar uma sala de audiências. E a Convenção Contra a Tortura não tem fronteiras, por isso não poderá escolher onde será processado”.
(in Jornal Expresso, 02 de Fevereiro de 2008)
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Perante isto, invoco a memória e encontro, precisamente há um ano atrás, a eurodeputada Ana Gomes na posse de documentos e testemunhos que atestavam que prisioneiros passaram pelo espaço aéreo português, nos Açores. Recordo também de que toda a documentação, por Ana Gomes reunida, aconteceu sem a colaboração do Governo português, na época, de José Sócrates. Contudo, este assunto toca em outros Governos, liderados por: Durão Barroso e Santana Lopes. Apesar dos muitos embaraços – o assunto merecia analise e discussão, cuidadas, ou então, já estaria devidamente esclarecido, o que não é verdade, há luz do recente relatório da Reprieve –, Pinto Monteiro, Procurador-Geral da República, aceitou reunir-se com Ana Gomes a seu pedido. Na época.
Questionei-me e questiono-me: não deveria ter sido o Governo a tomar a iniciativa no sentido de esclarecer os factos ao pormenor, num assunto tão sério como este? Agora, Pinto Monteiro, a título de resposta, pretende adiar a conclusão do inquérito, prevista para Fevereiro, sobre o papel do Estado português. Tudo isto, depois de afirmamos, na voz dos oito Ministros dos Negócios Estrangeiros, que de Janeiro de 2002 a Maio de 2006 não tivemos conhecimento da passagem por Portugal de prisioneiros de ou para Guantanamo. E, fomos mais longe, Luís Amado, Ministro dos Negócios Estrangeiros e ex-Ministro de Defesa de Portugal, no ano passado, em conferência de Imprensa, em Lisboa, afirmou que as investigações relacionadas com voos ilegais da CIA estavam concluídas, porque nada tinha sido encontrado que justificasse o prolongamento do inquérito.
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Mas que grande confusão!
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Agora percebo porque é que Thomas Hammarberg (comissário para os Direitos Humanos do Conselho da Europa) quis dizer quando proferiu as seguintes palavras:”Ou Portugal prova que o relatório está errado ou clarifica o seu papel”.
(in Jornal Expresso, 02 de Fevereiro de 2008)
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Afinal Reprieve veio confirmar as suspeitas de Ana Gomes!

Saturday, February 2, 2008

Foi na Póvoa de Varzim


PS contra processos
"com fim político"
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O PS/Póvoa acusou, anteontem, a maioria social-democrata de "gastar dinheiros públicos em processos jurídicos com fins políticos", tentando usar os tribunais para calar a oposição. Os socialistas, que reagiram, assim, à decisão do Tribunal de absolver Silva Garcia de dois crimes de difamação contra Macedo Vieira e Aires Pereira (presidente e vice-presidente da Câmara da Póvoa), querem agora saber quanto já gastou a Câmara em processos por difamação contra dirigentes do PS, "a ser pagos por todos os poveiros".
"Ao absolver o cidadão Silva Garcia, o Tribunal fez justiça e mostrou que os Tribunais não podem servir para o poder instituído tentar calar quem pensa de forma diferente", afirmou o líder do PS/Póvoa, Renato Matos, lembrando as palavras da juíza, na passada terça-feira, quando, conforme o JN noticiou, considerou que as palavras do vereador socialista teriam "que ser vistas no contexto da liberdade de expressão e da luta política".
"A política combate-se com argumentos e não com Queixas Crime!", criticou Renato Matos, lembrando que, à semelhança dos dois processos de Silva Garcia, correm ainda mais cinco contra o lider do PS na Assembleia Municipal, Ilídio Pereira, por difamação a outros tantos vereadores da maioria.
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Por Ana Trocado Marques, In Jornal de Notícias de 2 de Fevereira de 2008

Friday, January 25, 2008

valter na Quinta de Leitura




valter Hugo mãe foi o poeta convidado, ontem, pelas 22h00, no Café-Tetro do TCA (Teatro do Campo Alegre), no Porto. “Facínoras” foi o título, eleito por valter, para esta sessão – esgotadíssima, aliás –, onde fomos mimados com a sua poesia. O conteúdo, de alguns dos textos, do seu mais recente trabalho, bruno, – livro de poesia, editado apenas em Espanha –, ganhou vida nas vozes de Isaque Ferreira, Pedro Lamares e Adolfo Luxúria Canibal.
Mas, a riqueza do momento tomou particular sentido quando valter assumiu, para nosso regozijo, o comando de alguns textos e, num risco calculado, abraçou-os com audácia e deu-lhes som e melodia, num registo partilhado pela música alternativa acompanhado por António Rafael (teclas) e Miguel Pedro (percussão) – músicos da banda Mão Morta –, e ainda por Henrique Fernandes (contrabaixo).


facínoras

eu e o bruno somos dois
facínoras e queremos ser animais selvagens e
ferrar sem piedade, eu e o bruno
só somos diferentes ligeiramente,
por isso julgamos o mesmo do
mundo e estamos dispostos a
irritar as regras antigas do desafio
biológico. temos corpos nano-aperfeiçoados,
delicados para as vistas, artilhados para a,
demanda das austeras necessidades
da contemporalidade. e somos do
mais contemporâneo que há. sabemos
muito sobre o essencial de cada coisa, que
é sempre o mesmo, e ganhamos facilmente
por atentarmos apenas no essencial. queremos
ser animais exactos, deslumbrantes, cor-de-rosa ou
laranja, talvez hipopótamos com asas na
cabeça ou gnus sorrindo, mas sólidos, pesados
sobre a terra como sobre as ideias mais extensas,
a persegui-las obstinadamente. para dois
facínoras como nós, todas as coisas parecem
largamente aquém da imaginação. andamos
preocupados com o aquecimento global do
planeta e sabemos o que dizem sobre
a morte de três quartos da população
mundial nos próximos cinquenta anos, mas
isso pouco importa, parecemos sozinhos de
todo o modo, solteiros, sem ninguém, mas isso
pouco importa, e se pudéssemos, correríamos
à dentada três quartos da população mundial
para os calabouços do inferno, sem pretexto
climatérico, nem pudor perante as criancinhas,
as mulheres ou os velhinhos, era corrê-los a
todos até que restassem apenas as
pessoas seduzidas com subir às arvores para
incentivarem os frutos a nascerem e as que
colocam as mãos no chão sem
medo de criarem raízes. eu e o bruno
olhamos para as paisagens como dois
antipáticos implacáveis. criticamos cada
coisa até se cansarem da nossa conversa e
rogamos pragas a quem exasperado nos
abandona. dizemos, vão-se embora, enfiem-se
debaixo dos lençóis e criem penas de avestruz na
corola do buraco do cu. sentamo-nos
ao pé das águas dos rios escuros e
ferramos a quem nos pergunta se vamos
pescar. arrancamos braços inteiros, por vezes,
à força dos dentes, o bruno mais, que tem uma
dentição branca superiormente saudável e pode
desferir golpes de maior violência e até com
encantadora precisão.

a mariana costa desenha os animais que
queremos ser porque entendeu tudo
sobre o recôndito segredo do universo.
nos seus olhos incrivelmente azuis
reflecte melhor do que o céu as
proféticas aventuras do humano. eu
vou aproximar o meu corpo gravemente ao
dela e sei que do choque espiritual me
nascerá o exército de filhos com que
infestaremos os espaços de uma beleza
pura, desorganizada por ser genuína, intensa,
capaz de explicar aos ímpios a necessidade de
seguirem para o inferno e permitirem a sobrevivência
de todos os peixes. e eles seguirão por seu
próprio pé e iniciativa e deixarão caminho
para que subsistam apenas corações férteis e
desavergonhados no exercício do amor. eu e
o bruno corremos atrás da mariana como
cães obedientes e vamos latir ou uivar em cada
pôr-do-sol para receber os dentes nos sonhos de
todas as noites. é assim o amor,
uma entrega sem hesitação perante o acentuado
do abismo

e salvaremos o mundo com estas convicções nada
pacíficas. porque daqui a pouco tempo perderemos
dois terços da população só pela inércia e
antes disso é preciso preparar todos os
animais para a travessia até um tempo melhor

a boca dos insectos já nos beija, rapidamente
inteligente e respiradora, e é assim o
amor, sem limites perante a vida




valter Hugo mãe, in bruno

Monday, January 14, 2008

Fica boa depressa


Procuro-te.
Com o olhar atento, procuro as palavras certas, sons amenos e vigilantes - como se querem dos amigos.
Encontro-te sempre.
Tal como encontro, as lembranças, as cores e o calor que nos dão um sentido.
A graça e o sabor da tua amizade está atracado, lá. Sabes onde?
No abrigo de quem amamos.

FICA BOA DEPRESSA!