Sunday, May 6, 2007

Dia da Mãe

Mãe,

A distância que experimento na vida,
motivada pelo teu nada na minha existência,
já não é como uma lança fincada na pele que me agonia,
mas, ao invés, um manto!
Um manto negro, suave, deleitoso e quente. E,
cobre-me e, compreende,
brindando-me com momentos de tranquilidade.
Esta distância efectiva, grande,
grande que me impede de ficar só,
olha, já me faz companhia!

Feliz Dia da Mãe!

(Ficou um hino às minhas "duas MÃES" e,
não é, nem metade do que tenho cá dentro!)

4 comments:

Sofia Braga said...

A palavra "distância", aporta-me sempre inquietude...É tão relativa como o pouco e o muito, o grande e o pequeno, o bonito e o feio...Cada ser humano tem os seus pesos e as suas medidas,conforme o tamanho do coração que carrega.A minha mãe está à distância de um abraço e contudo, tão infinitamente distante...!Como podemos estar a biliões de anos cósmicos de uma alma humana? E como podemos viver tranquilamente com isso? À parte a retórica das interrogações,busco em mim a força para encurtar distâncias, fazer ruir os muros da pior das separações:a distância das almas.E persisto, e permaneço no sonho obtuso de um dia quebrar as pontes,calcorrear os destroços inevitáveis espalhados ao acaso, dentro do que sou, e abraçar o coração da minha mãe, um dos meus bens mais preciosos.
Apesar de hoje já não ser Dia da Mãe, beijo a minha mãe e os meus filhos, na eterna busca da serenidade, do apaziguamento, indispensáveis nesta procura da partilha das emoções mais singelas,como por exemplo, o Amor de Mãe.
Um beijinho...até que os nossos passos se cruzem.

JMC said...

Quando as pessoas que amamos tomam determinadas decisões, nem sempre as percebemos. Mas, podemos continuar a amá-las na mesma.
Não se trata de compreender.
Trata-se de perdoar.
És linda!
JMC

Ana Mateus said...

Cristina, o texto é lindo!
E parafraseando a Sofia Braga,
Um beijinho...até que os nossos passos se cruzem.

rouxinol de Bernardim said...

Parabéns pela sensibilidade poética! Está um senhor hino!...