Tuesday, May 1, 2007

A diferença vive entre nós


Fere-me o facto da nossa sociedade, ainda impor às pessoas com deficiência física e mental, ritmos de vida diferentes. Será que ainda não constatamos que somos todos, verdadeiramente, iguais?

As pessoas portadoras de uma deficiência dispensam a nossa generosidade, a nossa compaixão e a nossa pena. O que necessitam é de ausência de barreiras físicas, à sua mobilidade, e ausência de barreiras intelectuais, as mais condenáveis.
Ainda é comum o olhar piedoso para o "coitadinho", que é tão-somente, uma pessoa com deficiência física ou mental. Mas, e acima de tudo, uma pessoa! Uma pessoa com os mesmos direitos e deveres, numa sociedade, dita desenvolvida e em pleno séc. XXI.
O que estas pessoas precisam é de estímulos, de manifestações de apoio, e de uma luta em conjunto pela democratização das oportunidades, para que vivam o seu dia a dia de forma digna e feliz!
Assim, pergunto-me, onde estão os edifícios públicos e/ou privados, preparados para uma cadeira de rodas? Se estas, não passam nas portas! E as rampas de acesso? Os poucos edifícios que as apresentam têm uma inclinação tal, que dificilmente sozinha, em cadeira de rodas, uma pessoa as pode transpor! E os transportes públicos? Também estes estão desajustados, e inadaptados para as receber. Como podem ser autónomas estas pessoas, tão iguais a nós? Se pensarmos nos passeios, constatamos que apresentam verdadeiras armadilhas para um invisual, ou deficiente motor. E as rampas? Não estão lá!

Porque teimamos em não aceitar, de forma natural, as pessoas com deficiência? Se amanhã, qualquer um de nós pode ser diferente, a viver entre iguais?!

1 comment:

Sofia Braga said...

Não, na verdade não somos todos iguais.Ou então, uns são mais iguais do que outros, politicamente falando.E isto é tanto mais arrepiante se pensarmos que amanhã, apanhados desprevenidamente numa curva da vida,ceifamos a igualdade e passamos a ser os diferentes.Os diferentes... os que ninguém vê... os que não oferecem os olhos à luz da manhã, nas ruas da cidade onde moramos, os que não deixam que o rosto seja chicoteado pelo cheiro a maresia, com os pés enterrados na areia, num fim de tarde apaziguador... ninguém os vê, esses menos iguais, corações humanos que se resignam a perder um dia de sol na cidade, a brisa do vento,à beira-mar, numa caminhada sem norte mas nunca desnorteada... ninguém os vê...mas eles estão connosco.Obrigada por me teres lembrado.
Beijinho...até que os nossos passos se cruzem.