Thursday, July 16, 2009

Parabéns Paulinha!


Paulinha, quando li este poema pela primeira vez – em Junho último –, lembrei-me imediatamente de ti. Guardei-o por isso.
Hoje, partilho as palavras e o sentido contigo! (Queres?)



Queres?

Queres? (No ar, a interrogação vibra como
uma onda invisível.)

Queres? (Pelo silêncio, não sei quem és, não
sei a razão em mim que te deseja.)

Queres? (É quase de manhã e poderíamos
esquecer tudo, fazer as malas, dormir
finalmente.)

Queres? (Uma porta talvez aberta para talvez
um abismo ou um deus.)

Quero. (Já não podemos fugir aos nossos olhos
inimagináveis, inalcançável é o cansaço.)

Quero. (A luz do quarto continua acesa sobre
a luz da manhã, tornamo-nos artificiais.)

Quero. (Os nossos corpos, claro, sempre os
nossos corpos, sempre apenas os nossos únicos
corpos.)

Quero. (Tarde demais.)

José Luís Peixoto, Gaveta de Papéis

2 comments:

De Profundis said...

Quero. A porta sempre aberta da nossa amizade.
Quero. O silêncio partilhado e as palavras divididas.
Quero. E nunca, nunca será tarde para os afectos.

Obrigada pelo teu carinho,
Um beijo

rouxinol de Bernardim said...

O doce sabor da ingenuidade é sempre tão actual... paraéns!